segunda-feira, 24 de março de 2014

Descobrindo Nina


Entre tachos e temperos, ocupada na minha cozinha, peguei no comando da tv à procura de um som de fundo, porque o silêncio para mim é ensurdecedor, quando ele me sabe bem é sinal que estava à beira de uma implosão. Então, assim de repente, fui parar à Austrália, através desta série deliciosa!

Descobrindo Nina é descobrir o mundo interior, neurótico, alucinado, doce e fantasioso, medroso e corajoso da personagem feminina, e da sua visão muito própria do mundo. Todas as personagens circundantes têm uma história e uma neurose, e interligam-se de forma natural e bem humorada, através de situações pouco previsíveis e diálogos inteligentes.

Nina é uma girl next door, tem uma evidente paixão por botas e homens difíceis: podia ser qualquer uma da maioria de nós! Tem uma família cheia de dramas...uma vez mais, tal como muitos de nós! Em suma: uma Bridget Jones com pronúncia australiana, mais fashion e mais inteligente. E sem diários: ela fala para nós e por vezes, ao ouvi-la, parece que me ouço a mim mesma...

Ajudar o Pedro e a Ana

https://www.facebook.com/ajudarpedroeana


De entre as muitas páginas de apoio que encontramos na rede social, esta é uma que me toca, porque é o apelo corajoso e sincero de uma mãe que engole o seu orgulho em prol do bem estar do filho Pedro, autista. Ana Martins , para além de mãe tem sido pai, e toda uma família condensada em si, mas também é uma escritora, tendo editado vários livros sobre o tema que a apaixona, o autismo, sendo assim uma pessoa que também ajuda os outros. Eu não conheço pessoalmente a Ana Martins, sou amiga virtual do Facebook, nunca tive uma conversa privada com ela, partilho coisas, sigo o seu blog e a luta diária que ela expõe com coragem, mas sem dramatismos. O ano passado a Ana foi para o hospital, vítima da agressão do filho que, fora da sua rotina habitual, uma vez que as instituições encerram em Agosto, acaba por se tornar violento. Esta situação levou-a a dar uma entrevista num programa de televisão. Apelos foram lançados, por esta e outras mães e pais, mas os apoios continuam escassos, mesmo com a denúncia de situações e das manifestações de protesto nas ruas. Poderia dizer que é preciso alguém morrer para as pessoas competentes abrirem os olhos. Mas não. É este desespero que leva uma mãe a suicidar-se e levar o filho com ela, como o fez não há muito tempo uma mãe, professora, que se lançou para o vazio de um 8º andar, levando o seu filho nos braços, rumo a uma morte certa melhor que uma vida de inferno. Fiquei comovida até às lágrimas. Tive uma pessoa de família que sentiu o sabor do desespero, que teve este desejo uma determinada vez, embora não o tendo concretizado. Farta de ver a filha a sofrer, farta de uma vida de luta, farta de tudo. Mas havia um círculo familiar, um apoio. Quem o não tem, é natural que acabe por sucumbir àquela que parece a única solução…

Esta mãe, Ana Martins, fez um apelo corajoso, criando uma página onde pede ajuda monetária, pois está em atraso com as mensalidades da APPDA, e com certeza tem muitas outras necessidades. Não se lançou de uma janela. Não desistiu. Por enquanto! Tem tido feedback deste pedido de socorro, felizmente. Muita gente tem partilhado e outras contribuído financeiramente também. Mas até quando isto será solução? Quando será que estas pessoas, diferentes, serão consideradas cidadãos como os outros, com potencial para serem também eles um elemento participativo da sociedade? Quando será que a dignidade e o direito a ela não deixará de ser utopia? Eu acho que esse dia nunca chegará. Mas acredito que as coisas poderão melhorar, se nós não nos conformarmos com esta situação. Não precisamos ter alguém próximo de nós que sofra deste flagelo, o de “ser diferente”. Basta imaginarmos a luta que é! A imaginação nunca chega ao que é a realidade, porque só lhe sente o sabor amargo quem, de facto, a vive…

Por isso vamos partilhar. Vamos ajudar, mais que não seja ao lermos sobre o tema, ao tentarmos entender, ao andarmos atentos ao que se passa à nossa volta. Muitas vezes, os pedidos de socorro são demasiado silenciosos e envergonhados. E até podem não morar muito longe de nós…

quinta-feira, 20 de março de 2014

Pensamentos em Flor

 
 
Hoje de manhã, ao fazer a minha rotina habitual antes de sair de casa, ocorreu-me mais um dos meus muitos pensamentos descontextualizados daquilo que estou a fazer no momento (neste caso, a lavar os dentes, com a minha gata a passear-se majestosamente pelo lavatório, chicoteando-me com o seu rabo dengoso). Lembrei-me de algo que uma pessoa me disse, a minha irmã mais concretamente, que eu ainda iria ter sucesso numa coisa sobre a qual falávamos na altura. E, conforme me lembrei disto, pensei imediatamente a seguir: "se não consegui até agora, não é com esta idade que o vou conseguir".
 
Este pensamento cruzou o meu cérebro por dois segundos e senti-me imediatamente uma velha, que nada tem a ver com os meus quase 39 anos. Senti-me velha por dentro por pensar isto de mim mesma. Credo, não sou um dinossauro, e se calhar agora é que estou na idade certa de enfrentar determinados desafios! No fabuloso filme, com o mais fabuloso ainda Brad Pitt, "O estranho caso de Benjamin Button", ele nasce velho e vai rejuvenescendo à medida que amadurece por dentro. Ideia tão bonita, onde o equilíbrio perfeito acontece a meio da vida, que é por onde eu ando, mais coisa menos coisa, se tudo correr bem! Portanto, bem vistas as coisas, seja em que ordem for, no meio é que está a virtude.
 
Acharmos que já é tarde para realizar seja que sonho for (excepto se existir algo realmente impeditivo), é o maior obstáculo com que nos podemos deparar; somos sem dúvida o nosso maior inimigo, ao nos deixarmos envelhecer por dentro. Ficamos muitas vezes conformados com o simples facto de sonhar, a magia reside só no conceito, pois assim não há desilusões, tudo é perfeito e exactamente como desejamos...
 
Inércia, conformidade, falta de confiança: os ingredientes certos para uma velhice precoce no nosso íntimo, o único lugar onde pode ser sempre primavera, e o único onde nada se mede pela idade.

quinta-feira, 6 de março de 2014

O Voo da Fénix

Não há duas sem três. Mais um poema que vou partilhar de alguém de quem já aqui falei, um homem apaixonado eternamente pela esposa que perdeu o juízo no parto, tendo o filho de ambos sido entregue para adopção com poucos meses. Hoje confidenciaram-me a história contada pela boca dele. Foi-me dito que eles eram um casal lindíssimo, e que ele nunca a abandonou. Quem os vê não parecem sentir nada. Mas, olhando atentamente, para lá da aparência, conhecendo-se a história, vislumbra-se o sentimento. Hoje vi-os juntos, e ela ilumina-se a olhar para ele, sempre com um sorriso encantado, não obstante continue o seu interminável monólogo desconexo....

Quando eu estava grávida ela ficava parada a olhar para mim, muito atenta. Uma das vezes, enquanto esperava pela minha mãe à porta do prédio, onde ela também morava, chegou-se a mim e disse: "Carregas no ventre um filho varão. Vai ter nome de rei e ser guardião da riqueza". Foi a única vez que falou comigo, e nunca esqueci, pelo facto de se dirigir a mim e dizer algo tão estranho. Eu já sabia que ia ter um filho. Já tinha nome: Eduardo. O significado é, soube-o mais tarde, guardião da riqueza. Uma coincidência que me tocou na altura, especialmente porque sabia que ela tinha tido um filho, que deve ter agora perto de cinquenta anos, e certamente no meio da sua alienação, não deixava de ser mãe sofrida. Enchi-me de pena. Agora ainda mais, porque ela é tão amada e não deve ter consciência disso. Um amor tão grande não nos devia passar ao lado! E ele, que podia ter refeito a vida, seguiu o caminho mais difícil mas talvez, para ele, o único que lhe fazia sentido: estar ao lado da sua amada, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte os separe.

Porque o amor, mesmo quando a vida não é justa, merece ser partilhado:

CAMINHEIRO
(ou do voo da fénix)

Eu podia acomodar-me no meu ninho, no macio do teu regaço quente,
no cheiro das flores campestres, no pólen, no mel de frutos maduros;
colher na concha das mãos o sol junto à noite dos abetos;
adormecer na toada do rio manso que desliza a teus pés
e matar para sempre esta sede louca de beber todo o leite
que profusamente jorra de teus seios nus
para colher consequentemente todos os frutos proibidos
que pendem assaz de todas as árvores do teu jardim;
sossegar de vez este espírito vagabundo de andar seca-meca
a trilhar descalço caminhos que não levam a lado nenhum
(ou simplesmente me conduzem até ao lugar exacto onde um sol secreto brilha só para mim).
Quedar-me no que aprendi nos livros e no que a vida me ensinou...
não, não é comigo: sossegadamente envelhecer à sombra dos frutos 
do que a esmo semeei em terra árida...sabe-me a pouco;
quero exaltar ao som dos tambores que soltam vendavais;
não ter medo do rugir das tempestades;
beber o fio de punhais;
ter a coragem de pegar a vida pelos próprios cornos
e guardar avaramente todo o orvalho que se desprende das flores
quando vais, como Deusa adormecida que é urgente despertar,
a passear pelos canteiros de um jardim que só eu sei.

Subitamente sei-me uma ave mística envolta em fogo e me extingo
para depois renascer das próprias cinzas, rasgar o horizonte, partir!...

José L.

Um Encontro Feliz

 
 
 
Já há umas semanas fui fazer compras ao talho aqui perto de casa. Enquanto esperava para ser atendida, ouço uma voz vinda da rua a perguntar se o talho estava longe; era um vizinho, que é cego. Era guiado pelo seu cão, um labrador preto lustroso. Responderam que não e ele ordena "Busca porta". Lá vieram os dois. Assim que entraram foram o centro das atenções. Por um lado, o estranho fascínio que as pessoas sentem por verem alguém diferente, especialmente quando estão à vontadinha, uma vez que o olhar não lhes é devolvido. Por outro lado, a presença daquele cão, qual herói que veio para salvar o dia! O meu vizinho já eu conheço bem, muito falador e sempre tão bem disposto que até me faz sentir um bocado envergonhada. É daquelas pessoas que, apesar de viver num mundo de escuridão, ilumina qualquer sítio onde apareça. Agora o cão nunca eu tinha visto, apenas a anterior cadela guia, que já morrera. Cheguei-me para lhe fazer uma festa, que ele aceitou com indiferença, sentado bem encostado à perna do dono, numa atitude protectora. Não fui a única deslumbrada com o cão, e ele foi um animal privilegiado com excesso de mimos durante aqueles minutos, mas manteve a postura atenta e dedicada. Este ar de indiferença suscitou a curiosidade das pessoas em quererem saber mais sobre aquele guarda-costas de quatro patas. Então o dono contou vários episódios, um deles que no Natal ele roubou um bolo rei e devorou-o em três segundos; outro que é doido pelas pernas das senhoras, porque lhe cheira ao creme hidratante e ele não resiste a lamber, já quase pondo o dono em sarilhos...afinal de contas, não deixava de ser um cão!
No meio desta conversa uma senhora passou por eles e pôs uma mão no braço do homem ...e lá se foi a postura zen do bicho! Levantou-se num ápice, mas o dono refreou o gesto com uma palavra, explicando-nos depois que o toque físico o põe em atitude de defesa e, se necessário, de ataque também. Foi dessa forma que  o salvou de um assalto, certa vez, defendendo-o com o próprio corpo!
Fiquei absolutamente rendida a este animal, que emanava tanta luz quanto o seu dono, sendo capaz de o guiar e proteger sem hesitações, num amor e dedicação incondicionais, sem nada pedir em troca...vim para casa com a sensação maravilhosa de ter estado perante um anjo negro de quatro patas, que nos deu a todos, naquela manhã, a bênção da sua companhia. Por vezes há, assim, encontros felizes...

quarta-feira, 5 de março de 2014

Poesia de Amar

Falei aqui, há pouco tempo, de um casal diferente, ela perdida num mundo só dela, falando muito com si mesma mas nada dizendo a quem a rodeia. Ele, calado e quase sinistramente sisudo. Quando caminham ela vai sempre dois passos atrás, no seu monólogo incoerente, e ele calado, sempre calado, como se não a visse. Transcrevi, na altura, um poema escrito por ele, intitulado "A Ronda dos mortos", que me tocou, pois revelava a mágoa e a intensidade que não se adivinhava neste homem, que foi combatente do ultramar. 

Uma vez mais surpreendeu-me, desta vez com um poema escrito no dia dos namorados: a prova que o amor é resistente às intempéries, e que a sua intensidade, quando ele é verdadeiro, não se dilui no tempo. Ganha novas formas, adapta-se e consegue renascer mesmo naquele que parece ser um solo estéril...e essa prova fica aqui transcrita, a prova também que loucos somos nós, quando não sabemos ver para além do que parece:

AINDA DE TI, MULHER NO MEU TEMPO
(Ainda mesmo agora como há sessenta anos atrás
quando começou a desabrochar em nós um icástico amor simbolizado num pequeno botão de rosa que é hoje uma flor viçosa no jardim do nosso outono)

Pelo que não sei da corrente
das águas de um rio parado
onde desliza suavemente
a forma de teu corpo acabado
qual corpo de Eva pudica
antes de trincar a maçã
e conhecer o pecado
e teus lábios
temporais cerejas apetecidas
pelos pássaros de voo ensaiado
e então de teus olhos
onde está estampada
a pureza dos cristais verdadeiros
e fará de teus seios
pequeninas colinas
onde desponta sempre a madrugada
e eu desperto em teu colo
feito para todas as batalhas.
Para ti, Mulher no meu tempo uniforme
onde não cabe nenhuma morte
por mais mortes
a que os deuses me condenem,
sujei as fontes de água pura
incendiei searas
semeei campos férteis com montanhas de granito
espalhei ventos
desencadeei tempestades
vendi a alma ao diabo!

Tudo isto só para habitar por um instante
dentro do teu tempo.

José L.







segunda-feira, 3 de março de 2014

A Bela sem Senão

 
Noite dos Óscares. E as fatiotas têm, normalmente, mais importância que os filmes em si, bem à maneira superficial de Hollywood. Um dos alvos das críticas de moda foi a sempre, para mim, irrepreensível, Angelina Jolie. Uma mulher de beleza intemporal, com uma aura mágica pelo percurso pessoal já decorrido, e pelos valores que defende, que nem por isso são intemporais, seguem modas tal como as outras tendências, sendo por vezes muito démodé numa sociedade cada vez mais consumista.
 
"Mal vestida", "you suck", and so on, foram os comentários que li em rede social. Para mim, foi pouco compreendida a subtileza, e a elegância requintada. Até porque ela não precisa de muito mais, especialmente com aquele marido pelo braço, convenhamos! É uma Angelina menos teatral, mais serena, e eu confesso que me agrada. Nos seus tempos de Lara Croft não era fã, embora não me causasse antipatia, talvez um "quando for grande quero ser assim" com uma pontinha de inveja...
 
O seu percurso pessoal foi ganhando a minha admiração, porque é muito fácil para quem tem tudo evadir-se para um mundo perfeito e não se envolver com a realidade mais feia, e ela fez a opção mais difícil. Como actriz, conquistou-me e apaixonou-me em dois filmes: em "A troca", representando a angústia de uma mãe corajosa com uma representação maravilhosa, e em "O preço da coragem", assumindo o papel da esposa do jornalista assassinado por terroristas, Daniel Pearl. Estava irreconhecível, transformada fisicamente de uma forma que não a favorecia particularmente, mas a sua beleza ultrapassa os pormenores físicos como a cor do cabelo, dos olhos, e da pele...
 
É uma mulher que tem conseguido ir muito além do estatuto de estrela de Hollywood, não sendo a opinião alheia sobre a moda da red carpet provavelmente uma grande prioridade na sua vida. Imagino-a a olhar-se ao espelho e a perguntar "Estou bem Brad?". O olhar a cruzar-se, ele a sorrir e a responder "Estás linda". Suponho que, para ela, nesse momento, isso seria tudo o que bastava...
 
 

domingo, 2 de março de 2014

Carpe Diem

Ainda agora foi Natal e já temos aí o Carnaval. Do Natal sempre gostei, do Carnaval nem por isso, ao longo da minha vida tivemos uma relação difícil, e posso dizer que, hoje em dia, não sendo a minha época preferida, é uma época que tolero sem más disposições, ficando até grata pelo dia de descanso extra!
Em miúda ficava toda contente quando o mundo se transformava um pouco como nos nossos sonhos, em que os personagens ganhavam vida e passavam por nós na rua. O único fato de Carnaval que tive não refletia essa alegria pois, ironicamente, vestia uma fatiota de severa, representativa do fado triste, o que não condizia nada com as minhas fantasias mágicas! Mas era o que tinha, e aos meus olhos aquela saia sem graça podia ser a cauda tímida de um vestido sumptuoso, e o xaile pelas costas era uma capa mágica que me levava até onde eu quisesse...
Mais tarde, ainda na minha infância, passei por um Carnaval que me trouxe um dia de alegria, com festa e lábios pintados, culminando com um episódio de violência física, num contraste amargo de folia e lágrimas, mostrando-me prematuramente que a alegria é, muitas vezes, uma mera ilusão. Não voltei a sentir aquele entusiasmo nos anos seguintes, apesar de ter passado por momentos engraçados, pois o nosso coração tem a capacidade de se regenerar, se assim o quisermos. Até ao dia em que o meu pai morreu, em época carnavalesca. Mais uma vez o contraste da folia que me rodeava e ensurdecia o meu coração magoado...seria possível o mundo à minha volta estar em festa, enquanto o meu desabava? A irracionalidade natural de quem sofre uma perda fez-me detestar tudo o que se relacionava com confetis, samba, apitos, e afins. Até que, quatro anos depois, nasceu o meu filho: o amor tudo cura. Ele foi uma criança de muita imaginação e, ironicamente, o Carnaval com ele era todo o ano, passava mais tempo mascarado em casa que outra coisa. E eu deleitava-me com aquela alegria, e alimentei-a, voltando a ser criança de novo, ao lado do neto que o avô não chegou a conhecer. Ele hoje tem quinze anos, e não liga nenhuma ao Carnaval, embora se tenha mascarado até não há muitos anos atrás. É mais sisudo e reservado do que eu alguma vez fui, mas teve direito aos carnavais que quis, da maneira que quis. E continua a ser Carnaval quando queremos pois soltamos, a dois, a imaginação sempre que nos apetece, mascarados de mãe e filho. E eu fiz as pazes com uma época do ano que me entristecia: viver e deixar viver, carpe diem conforme te apetecer.




The Beautiful Side of Darkness

No more words required...