quinta-feira, 18 de julho de 2013


De acordo com várias conversas com amigas minhas, cada uma com um estilo de vida diferente, cheguei à conclusão, que não é nova nem brilhante, que rotulamos as pessoas (neste caso as mulheres), de acordo com o seu status sentimental: se uma mulher opta por não ter filhos, é porque tem alguma falha grave de ADN e, no fundo, tem algo nela que não é feminino e sim bastante egoísta; se uma mulher decide ter um filho apesar das condições difíceis de vida, é inconsciente e é egoísta; se uma mulher atura um homem insuportável, é pouco inteligente e tem baixa auto-estima. Mas, se decide não pertencer ao clube das casadas, e viver alegremente a sua sexualidade então é uma maluca (se já tiver filhos, é maluca e inconsciente). Pior, se decide não casar nem viver a sua sexualidade...então é encalhada! Se tiver gatos então, é rotulada como encalhada e à beira do precipício!
Afinal de contas, o que é que é considerado normal? Haverá normalidade quando decidimos viver da forma que achamos ser a melhor para nós, ao sabor dos nossos sentimentos? Mesmo que seja o oposto do que os outros acham? O melhor mesmo é vivermos a nossa realidade e não nos enganarmos a nós mesmas.
Com tantas contradições está a dar-me vontade de me esparramar no meu sofá com os meus gatos, ver o "Sexo e a Cidade", comer o que me apetecer sem fazer jantar, porque amanhã já me pode dar para sair de casa, divertir-me à minha maneira, e aproveitar enquanto o meu descendente, muito bem criado e de forma muito consciente, apesar das dificuldades, está a passar férias fora de casa...! Isto é o chamado Tudo em Um!
Hoje, logo pela manhã, assisti a uma conversa no mínimo interessante!
A conversa decorria entre uma pessoa diabética que já viu amputados dois dedos dos pés. Felizmente, nenhum que lhe tirasse o equilíbrio ao andar. Não sei se é por isso que essa pessoa é muito optimista e desvaloriza as duas cirurgias feitas num espaço de um ano. Ou finge desvalorizar. Mas hoje tinha ali um esmagador de esperanças a dar-lhe conversa! Que tinha um vizinho lá na terra, que também começou por tirar só um dedo como ele, mas que era igualmente diabético e "o mal é eles começarem a mexer".
"Isto não é nada" responde o optimista. "Ah mas depois passaram para o outro pé!"..."Pois, mas isto não é nada".
O esmagador de esperanças sentiu-se frustrado com tanto optimismo, e subiu a parada: "Mas depois dos dedos lá se foi uma perna. E depois dessa perna foi a outra!"
"Isso não acontece sempre, isto aqui não é nada.". IRRA! (vi nos olhos dele que ia dar o golpe final) "Pois, mas a seguir, ele morreu!". E como há esperança para lá da morte, a resposta foi "Para viver sem pernas mais vale estar morto".
Eu é que fiquei esmagada com isto tudo, e ainda não eram nove horas da manhã. O que me faz pensar: seremos às vezes excessivamente optimistas para camuflarmos os nossos medos, sem sequer os admitirmos a nós mesmos? E as pessoas esmagadoras de esperança querem realmente abrir os olhos do outro para a realidade e prestar um bom serviço ao próximo? Ou serão tão azedas que a postura positiva dos outros chega a incomodar por não serem capazes de atingir esse modo de vida?
Mas na verdade, a pergunta que me ocorreu de imediato foi: como é que alguém que ainda recupera de uma amputação, e não está isento de risco no futuro de outras mais, acha que mais vale estar morto?! 
"A providência por vezes não é isso que quer" foi a resposta do azedo perante um comentário tão leviano...Não sei se é por escolha da providência ou da negligência, que o homem com dois dedos do pé a menos chegou a este ponto da sua saúde, e desta conversa. Mas não havia providência que aguentasse eu ser testemunha disto sem ainda ter bebido um café! E lá fui eu levar a minha "injecção" de cafeína...com bastante açúcar!


quinta-feira, 4 de julho de 2013

15 minutos de Fama

Lembro-me do primeiro Big Brother que passou na televisão portuguesa. Foi um fenómeno, porque ninguém conhecia o formato nem o seu potencial impacto no público, incluindo os concorrentes, tendo estes sido tão genuínos por isso mesmo. Claro que foi um sucesso, porque existe um fascínio natural em ser-se voyeur dos comportamentos alheios...melhor ainda quando se pode comentar abertamente na mesa do café!

No pós-Big brother veio mais do mesmo, em algumas variedades: se és gordo queremos ver-te sofrer para emagreceres, se tens um segredo eu vou descobri-lo...com gigantescas audiências. Quem não gosta de se rir com a falta de cultura geral alheia? e quem não gosta de espreitar as cenas de faca e alguidar do vizinho do lado que, neste caso, o faz pela nossa sala adentro? Televisão é isto mesmo, agradar a todos. Ou deveria ser. Porque a oferta não é muita para quem gostaria de ver em destaque assuntos e pessoas realmente merecedoras de horário nobre. Lembro-me de aparecer em notícia de telejornal o sexo feito dentro da casa mais vigiada do país. Repetidas e repetidas vezes. Então e que tal seguir o dia inteiro de quem salva vidas numa sala de cirurgia? De quem apaga um incêndio e previne um mal maior? De quem corre a noite, de sopa na mão, a matar a fome de quem não conhece? Já foi feita uma ou outra reportagem? Sim! Mas o nível de audiências reflectiu a prioridade de valores na sociedade em que vivemos. Faz-me confusão, muita confusão. Não tenho dúvida que os verdadeiros heróis vivem no anonimato apesar de não se esconderem atrás de uma máscara. Nem precisariam... Infelizmente é mais interessante a falta de conhecimentos geográficos dos concorrentes dos reality shows do que tudo o que poderia ser partilhado por aqueles que, não tendo a fama, têm todo o merecido mérito. E muito menos apoios!

Arco-íris

Passamos metade da vida a convencer-nos que somos felizes.
Procuramos desesperadamente a beleza, a cor de tudo,
algures uma ponte entre o que sonhámos
e o que acabámos por ser.
Exacerbamos as alegrias para compensar a balança da angústia e
das expectativas frustradas pela
caminhada da vida.
Criamos música, poesia, pintura,
fazemos amor em busca do amor,
criamos refúgios e subterfúgios,
aconchegamo-nos no cobertor da ilusão
e criamos um universo pessoal que é igual ao dos outros
mas que pensamos ser especial e único.
Felizmente temos esta capacidade de criar beleza a partir do nada.
E então misturamos e criamos as novas cores de uma existência
mais alegre e menos uniforme
no cinzentismo dos nossos dias

Amar, é?

Amar é uma coisa visceral:
Ultrapassa a pele e os seus desejos,
Rasga a carne e vai mais fundo,
Diluindo-se numa corrente sanguínea de sentimentos,
E alimentando-se de pequenos momentos;
... Amar é sentir que o nosso ninho
Pode estar fora de nós mesmos,
Mas no circulo protector de um mesmo abraço.

Queria...

Queria poder entrar pelos teus olhos adentro...!
Queria poder neles mergulhar inteira e ir até ao recanto secreto da tua mente, onde guardas a tua alma e os segredos da tua existência, tão nova mas tão velha.
Queria poder desvendar o mistério dos risos em que choras e das lágrimas que não vertes, pegar nelas e deitá-las ao mar, lavando no sal as dores tuas que são minhas...
Será o teu mundo como as histórias que sonhas de olhos abertos, das quais és um arquitecto louco e emocionado? Queria nele poder ser peregrina...! Terás lá gargalhadas e arco-íris de cores nunca vistas, bolinhas de sabão e aos teus pés um cão...? Um Buda sentado, ali mais ao lado!, sorrindo com a serenidade de quem sabe que existe o teu mundo, sonhado entre as paredes caladas do teu quarto?
Queria poder...! Queria poder ser a mão que desejas segurar, queria poder ser o abraço que fica entre nós e não se aperta...Queria ser a paz que almejas, o sossego na tua mente inquieta, frustrada e tantas vezes cansada. Queria fazer o mapa onde te podes encontrar, cartógrafa do amor materno...
Tu és tão pequeno e és tão grande! E eu que queria dar-te tudo, e do meu tudo não precisas de nada...talvez apenas da vigilância quieta de quem somente te pode dar o amor que tanto queres e não sabes pedir.

Viagem no Tempo

Amélia caminha devagar entre os corredores de roupas penduradas em cabides, mudos e coloridos. Falam de sol, esplanadas, e caminhadas lentas, embaladas por um vento morno. Pára em frente a uma prateleira sozinha e contempla um chapéu de palha, tão simples, tão bonito, com uma fita fucsia enrolada à volta da cor pálida e ensolarada. Olha em volta e pega nele devagar, quase respeitosamente...deixa-o pendurado na mão, quieto, a respirar em silêncio nas memórias de um verão distante, cor de sépia e cheiro a sal; corria descalça pela areia molhada, o vestido rosa a rodopiar em volta das suas pernas ansiosas, e a espuma que se desmanchava a seus pés descalços, enquanto corria atrás de um chapéu livre...
Num ímpeto de saudade Amélia põe o chapéu na cabeça e olha-se ao espelho, encantada: emoldura-lhe o rosto suave e o cabelo, agora mais curto que nas suas lembranças. Olhando novamente em volta arruma-o delicadamente na prateleira.
 
Caminha de novo, vagarosamente, abstraída do som de fundo de uma música impessoal que se faz ouvir na loja quase vazia de gente. Pára. Foi atraída por um tecido azul-turquesa. E o seu coração palpita como o de um passarinho perante uma gaiola aberta e a liberdade no horizonte. Imediatamente volta a ver um vestido longo, escorregando pelo seu corpo jovem e curvilíneo como uma carícia indecente no despertar da noite; de longe mais bonito que aquela saia ridículamente curta que segura em frente a si. Mas a cor...a COR! Fá-la viajar até uma noite de Verão em que toda ela era vaidade azul-turquesa, exibindo braços brancos e uma cintura estreita que convidava ao abraço. A música torna-se pessoal nas suas lembranças e sente-se novamente a dançar, amparada por um corpo quente, latente. Não consegue parar de sorrir...e assim se depara consigo própria no espelho que lhe devolve uma imagem sonhadora e apaixonada. Vè um outro olhar, que não o seu, entre o espantado e o irónico. Atrapalhada, arruma a saia no seu lugar e escapa-se para a secção de calçado. Sente que olhos críticos a seguem. Inquieta, pensa que talvez seja melhor sair, para quê andar ali às voltas? A vida não sai do mesmo sítio...

 E é então que os vê! Uns sapatos brancos, delicados, de salto alto, exibicionistas no altar da sua prateleira. Não lhes toca. Fica parada, deliciada...vê os seus pés calçados com uns outros semelhantes...durante um dia inteiro, em que tudo era branco: o seu sorriso, o seu vestido, o seu coração...sapatos brancos que guiaram os seus passos desde um altar até uma cama feita de lençóis virgens. Nela foi deitada pelo homem que a roubara de si mesma para lhe dar muito mais em troca, numa vida inteira. Naquela noite, na sua noite, lembraram o primeiro passeio na praia, onde lhe voara um chapéu dos cabelos compridos, fugindo ao sabor de um vento que sabia a promessas...lembraram a dança cor azul-turquesa, ao som de uma declaração de amor...e, após as lembranças, Álvaro ajoelhou-se uma vez mais, mas para lhe tirar os sapatos brancos, devagar, como uma criança que desembrulha uma prenda tão desejada, sustendo a respiração em expectativa, desfolhando-a depois como um livro raro que contém um segredo...segurando a sua dor, e o seu prazer, entre as mãos protectoras, embalando-a noite dentro em conversas de estrelas e momentos por vir...

 “A velha não está boa” - Amélia desperta. para a realidade com a voz em surdina que se faz ouvir. E os risinhos mal disfarçados. Leva a mão magra á cara: está molhada de saudades. Mas sente-se feliz. Dirige sem vergonha um sorriso de desculpas á empregada da loja e, enquanto sai, vagarosamente, apoiada na sua bengala de madeira feita por Álvaro numa tarde de domingo (“Não te prometi que ia sempre cuidar de ti?”), Amélia sabe que a vêem como uma demente, que cobiça chapéus ridiculamente vistosos, saias ridiculamente curtas, sapatos ridiculamente altos. Mas agora, após as lembranças tão vivas de um tempo ridiculamente jovem, sente-se com força, rejuvenescida! A empregada segue-a com os olhos, e Amélia consegue sentir a sua pena, quase consegue ouvi-la pensar “Não quero ser velha”...mas ela ainda não sabe que existem coisas sem tempo, sem idade, resistentes à erosão do tempo na pele e na alma. Amélia tem agora vinte anos na vida das suas memórias, feitas de cores, cheiros, e momentos de eternidade.
 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Hoje de manhã saí muito cedo...



Fernando Pessoa! Genial, bipolar, não interessa...

É intemporal e assertivo!

Two smokes & One Thought



Partilhar um cigarro não é apenas a partilha de um vício. É a partilha de ideias, conversas, reflexões.

É uma partilha feita entre amigos, ou até mesmo entre estranhos;

Feita a dois cria uma intimidade diferente. Ou um silêncio cúmplice.



terça-feira, 2 de julho de 2013

Terapia Alternativa




Tenho pensado numa coisa curiosa e que vejo acontecer cada vez mais: utilizar o sexo como medicina alternativa. É natural, não invasiva (pelo menos não de forma nociva), e tonifica a pele e a massa muscular. Não é certo que durante o sexo se esquecem as dores todas? Bem, a menos que o sexo seja muito mau, é claro! E também se esquecem momentaneamente muitas dores de alma...
Assim como liberta a tal da serotonina, que transmite ao cérebro a sensação de alegria e satisfação. O desporto e a ingestão de doces também, eu sei. Mas nenhum proporciona um orgasmo, que se saiba! a menos que a pessoa se sinta escandalosamente carente...E nada substitui a pele na pele, o toque, e tudo o resto que não direi, a fim de não tornar este post demasiado ousado.
Assim sendo, penso que esta seria uma excelente alternativa em tempos de crise, uma vez que o dinheiro é demasiado precioso para gastar em contas na farmácia. A menos que seja em preservativos.