segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ainda


Sorris-me no assomo de um cansaço.
Espelhas-me nos teus olhos e contas-me o teu dia.
Ainda.
Quando já passou uma vida por nós.
Mas continuo Primavera nos teus braços, desabrochando no amanhecer das tuas palavras.
É com elas que ainda me deito.
Ainda.
É viçoso o teu corpo perante o amor do meu olhar,
das minhas mãos em ti para sempre jovens.
E curiosas.
E fazes-me Verão a teu lado em fins de tarde.
Ainda.
Quando já passou uma vida por nós.
E tempestades e iras de mau tempo.
Mas depois do Inverno do nosso descontentamento
delicias-me com os teus beijos de Outono.
E és folha renovada
de um amor incansável...
...Ainda.

O Fogo


Tens um fogo
prestes a mergulhar 
no oceano da minha mente.
Diluis-te em ondas de sal,
de calor, de vida.
És o meu horizonte
cor-de-dia-a-morrer
ou noite prestes a nascer,
e confundes-te com as ondas agitadas
que dançam na
ponta dos meus dedos.



Fotografia de Miguel Costa

O Lugar Encantado


Passou por aqui um momento de bruma e fim de tarde
no lugar encantado do meu coração
onde os bichos buscam água
num rio feito de letras,
e onde os pastos são feitos de papel
devorados por uma fome inquieta
sem horas para estar à mesa.
Passou por aqui uma alegria dourada
que se deita na sombra da árvore
quando por vezes se sente cansada.
E chora, e canta, e renova-se.
Para, mais uma vez, partir a galope
rumo ao sítio onde o sol se põe
mas onde nunca cai a noite
procurando um novo pasto, um novo rio,
um novo olhar.

Fotografia de Miguel Costa

domingo, 22 de maio de 2011

Momento Eterno


A magia de um momento, sem barreiras no Tempo, está nas palavras que amanhã vão ser ditas e dançam hoje na troca de um olhar...
que cheiram ao mesmo sangue e partilham da mesma carne.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sade - No Ordinary Love


Hoje não me sai nada dos dedos.
Apenas respiro um cansaço e faço silêncio na mente.
Bem...talvez uma banda sonora em modo relax...

domingo, 15 de maio de 2011

Blue Foundation - Eyes On Fire


Ritmo suave que se vai entranhando e
 envolvendo num abraço nocturno um corpo já cansado de fim de dia...

sábado, 14 de maio de 2011

As Memórias São Como as Cerejas

São como momentos polaroid as memórias que assaltam a memória,
onde se soltam gargalhadas e se choram dias de Inverno;
e pressente-se um aroma pelo meio
e vem uma fome, um anseio,
serpenteando pelos meandros da minha mente.
E a fome traz a sede
e a sede traz uma ausência,
os buracos negros no céu do meu caminho
que tu percorreste e onde desapareceste.
Só não levaste o teu cheiro.
A tua música.
O teu riso.
E, a isso, eu chamo batota.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

The Secret Garden


Trazes nos olhos uma magia que não sei.
Tens no coração uma fé que não explico. 
Apenas te levo onde quiseres.
E, no teu sítio mágico 
onde os ramos se erguem ao céu em oração,
vives um momento a dois com Deus.
Eu?
Feliz por me deixarem espreitar.

domingo, 8 de maio de 2011

Momentos de Poeira

Sonho-te naquele tempo por definir
em que o dia não quer partir
e a noite teima em chegar.
Espero-te naquele segundo de silêncio
em que a Vida se aquieta e 
fica suspensa de uma memória
por nascer.
Ouço-te na curva suave do vento
em manhãs de preguiça que
me abraçam o corpo.
Desejo-te ao pensar que não te quero
e sentir que não te preciso:
és um contorno mal desenhado
nas ruelas da minha mente.
Esqueço-te quando nem de mim me lembro;
sacudida fica a poeira dos anseios que
assenta por vezes no meu corpo.

A Praia

Tal como o mar vem chorar à praia
duas mãos deslizam como maré cheia
na curva de uma anca.
Chama de uma vela
revela o contorno de um lábio,
a dança de um braço que
agarra a noite
num segundo de lua cheia.
Solta-se o aroma de pele salgada.
E numa praia feita de lençois
a Natureza delicia-se perante
a sua própria beleza.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Vento e o Tempo

Cala a voz e não digas nada.
O tempo é em nós a semente que morreu, deslumbrada com o visão do sol.
Sou agora árvore que cedeu com a força do vento.
Tu és a natureza que passou por mim, impiedosa.
Agora ficou uma terra infértil, que sonhou um dia com campos de trigo 
e risos de pão.

Até à Vista

A saudade é um formigueiro na ponta dos dedos, 
é um aperto de olhos no vislumbre de uma memória.
É um cheiro que já não lembrava,
é o sentir de um toque que já não está.
É um sorriso que não tem eco.
É um monólogo da alma.