segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sky Is The Limit





Let it rain...
Let it be drops of joy over my skin...
Today only in heaven can be pain,
Today only the angels are allowed to cry, 
And let us all be happy...
Above the selfish sky.

sábado, 27 de novembro de 2010

Arte: Tempero da Vida



"Realmente, eu não gosto da natureza humana a menos que esteja toda temperada de arte." .
  Sra. Virginia Woolf

A Angústia de Ser um Génio




)
(Segunda, 25 de Outubro (primeiro dia1920 da hora de Inverno)



Porque será a vida tão trágica?, tão semelhante a uma pequena faixa de passeio sobre um abismo. Olho para baixo; sinto vertigens; não sei se vou conseguir caminhar até ao fim. Mas porque sentirei eu isto? Agora que o digo já não o sinto. Tenho a lareira acesa, vamos àBeggar’s Opera. Só que isto paira em mim; não posso fechar os olhos a isto. É uma sensação de impotência: a sensação de não estar a realizar nada. Aqui estou eu, em Richmond, e, como uma lanterna no meio de um campo, a minha luz esfuma-se na escuridão. A melancolia diminui à medida que vou escrevendo. Então porque não escrevo eu mais vezes sobre isto? Bom, a vaidade proíbe-mo. Quero ser um êxito até aos meus próprios olhos. Contudo, este não é o fulcro da questão. É que não tenho filhos, vivo afastada dos amigos, não consigo escrever bem, gasto muito dinheiro em comida, envelheço – dou demasiada importância aos quês e porquês; dou demasiada importância a mim mesma. Não gosto que o tempo esmoreça. Se assim é, então trabalha. Pois é, mas o trabalho cansa-me logo – só posso ler um bocadinho, uma hora a escrever e já não posso mais. Ninguém vem para aqui entreter-se um bocado. Se isso acontece, zango-me. Ir a Londres é um esforço enorme. Os filhos da Nessa crescem e não posso tê-los cá para o lanche, nem levá-los ao Jardim Zoológico. O dinheiro para os meus alfinetes não dá para muito. Contudo, tenho a certeza de que estas coisas são triviais: é a própria vida, penso eu por vezes, que é assim tão trágica para esta nossa geração – não há um cabeçalho de jornal que não tenha um grito de agonia de alguém. Esta tarde foi o MeSwiney, e a violência na Irlanda; ou então é uma greve. Há infelicidade em todo o lado; está mesmo atrás da porta; ou há estupidez, o que é pior. Mesmo assim, não consigo arrancar este espinho. Sinto que voltar a escrever o Jacob’s Room me vai fazer recuperar a fibra. Acabei o Evelyn: mas não gosto do que escrevo agora. E apesar de tudo isto como sou feliz – se não fosse esta sensação de haver uma faixa de passeio sobre um abismo.

O Curioso Caso Que é a Vida


O relógio mágico que faz tic-tac no tempo que nos define...
...e acontece o contra-relógio invertido entre corpo e alma...
A aventura da descoberta, o passo em frente que parecia impossível, o livro desfolhado, o cheiro do pó e o silêncio da noite no estalar da madeira, gemendo debaixo dos pés ligeiros,
a carta que se escreve e amor que acontece.
A magia da vida é também feita de truques baixos e momentos de poesia, mergulhos no mar, 
o nascer e  morrer do sol, e um balão a voar...
O sabor da despedida e um sinto-que-se-esvazia...qualquer coisa... cá dentro!
É o caminho, é o tic-tac que, mesmo cantando de trás para a frente, nos faz viajar de volta ao princípio de tudo o que nós somos.


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A Lição do Conto de Fadas


Só depende de ti deixar que o papão da infelicidade se transforme no GPS do mapa de estradas da tua vida..

"Os contos de fadas não dizem às crianças que os dragões existem. Isso já as crianças sabem.
Os contos de fadas dizem às crianças que os dragões podem ser mortos."

A Cor dos sonhos

A menina cresceu num sítio escuro e sem janelas, com alguidares de água quente e o cheiro da saudade na camisola da mãe. O mundo era um sítio triste, povoado de estranhos maliciosos, brinquedos partidos pela mão inesperada e um corpo dorido, imaginação fértil sem asas que voassem, atrofiadas e presas no seu próprio mundo. A sua evasão era um rádio a pilhas, era o cão vadio que conhecia o dono, era o carvalho que dava sombra às brincadeiras, eram os lápis e os papéis que coloriam o seu mundo interior com as linhas que formavam a estrada imaginária, a apenas três quilómetros da vida idealizada. Claro que esta nunca aconteceu, mas o importante é que as cores que povoaram os seus sonhos de menina calada afastaram a escuridão previsível, e iluminaram com tons de alegria cada momento de felicidade que estava por vir. 

Maratona do ego

A maior parte das vezes somos felizes, só que não o sabemos...porque a felicidade é um estado de não-consciência, é um deixa-andar com injecções de adrenalina aplicadas em pequenos nadas, tão pequenos que nem sabemos que estão lá...e quando a consciência decide dar o ar da sua graça com interrogações, e preenche o requerimento fatal para a satisfação do ego (não necessariamente do nosso eu), vêm logo atrás a ansiedade e a racionalidade, dando-nos o empurrãozinho necessário para começarmos a meia-maratona num contra-relógio sem meta definida.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Still Haven't...



Tenho uma amiga que é apologista de bússulas, daquelas cuja utilidade é orientar-nos no caminho dos nossos sonhos.
Eu também quero e preciso, para ontem!, de uma. Não uma bússula que me mostre para que lado fica o Norte de todos nós, mas uma que me mostre qual é o meu Norte...ando em círculos e vertigens, e sinto o cansaço de quem anda perdido na ânsia de se encontrar...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Quem não quer saber...?



Todos queremos saber o que é o Amor...todos temos uma ideia já definida do que ele é. Mas talvez o amor não seja nada do que esperamos, nada do que idealizamos, e se calhar nada do que pensamos querer....no entanto se permitirmos que se manifeste na nossa mente e no nosso coração, o que iremos sentir também será muito mais do que aquilo com que tinhamos sonhado.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Amor com Vigor


Amor próprio: um amor publicitado em pacotes de leite mas infelizmente existem demasiadas pessoas com intolerância à lactose. Já sabemos que temos de gostar de nós para que outros também gostem, existem livros de auto-ajuda dedicados ao tema, pessoas especializadas em dissertar sobre o assunto, espalhando boa energia e auto-confiança em um qualquer auditório lotado com pessoas inseguras e/ou traumatizadas. Com tantos estudos sobre esta "doença" como ainda não surgiu uma vacina, uma "cura" para esta maleita que afecta milhões de indivíduos? Talvez porque a auto-estima é como uma bola de neve: nascemos puros e seguros, ávidos de aprender sem receios de falhar ou de nos expormos ao ridículo. Mas depois vão-nos sendo incutidos os valores comuns que as crianças que se transformaram em adultos pouco amantes de si próprios vão transmitindo à sua própria descendência. E então esbarramos em pessoas inteligentes, criativas, inovadoras e inspiradoras presas na sua própria concha, com medo do ridículo...Em mulheres lindas, cada uma da sua maneira, que se olham num espelho retorcido pelos complexos que lhes foram ensinados e transmitidos porque são gordas, ou magras demais, ou diferentes...Em homens a quem foi ensinado que o amor tem que implicar violência, fisica ou psicológica, porque não têm o amor-próprio suficiente para se deixarem amar e para confiar...
Nós somos o que nos ensinam e o que aprendemos com os olhos e os ouvidos. Mas cabe-nos a nós, e a mais ninguém quebrar o ciclo: não podemos tolerar que nos digam que somos menos do que valemos, a nossa mente e o nosso corpo são sagrados e dignos de respeito, merecem que se olhe para cada curva com amor, porque cada curva conta o caminho de uma história única, e a mão que a percorrer tem que ter a intenção de amar; corpos marcados pela pancada têm de aprender a transmitir amor com mão suave e voz delicada; as vozes que disseram palavras duras, que nos pisaram e esmagaram, nos lançaram para um sítio negro têm que lá permanecer sózinhas, caladas e esquecidas. Temos a obrigação de darmos voz à nossa voz interior, abrirmos os olhos para a luz que temos cá dentro e que ilumina cada uma das qualidades envergonhadas, reprimidas. Temos que despir tudo o que sabemos e ficarmos frágeis, nus, em frente a um espelho virgem, cujo reflexo mostre toda a pureza com que nascemos, que mostre a fúria e a garra dentro de cada um, capaz de derrubar as mágoas e as dores, as muralhas em nossa volta, por nós erigidas, que nos impedem de sermos felizes! Nós temos um punho fechado com a força de um leão, uma vontade avassaladora de destruir as algemas que não nos deixam ser genuínos, que nos sufocam...essa é a nossa responsabilidade, ninguém nos pode dizer quem somos, nem uma religião, nem quem se ache mais sábio que nós, porque já trazemos a nossa verdade connosco desde o dia em que nascemos! Não cabe a terceiros ter que o fazer por ti e por mim...nós somos o que aprendemos e ouvimos, sim... mas nós é que decidimos o que fazer com isso, se queremos ter pena de nós ou arregaçar mangas e ir à luta da vida!  E a responsabilidade das nossas acções fica nas nossas mãos.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Amor (im)possível?

Não existem amores impossíveis. Existem expectativas impossiveis de realizar, existem altares dignos de deuses erigidos a pessoas de carne e osso, com falhas, lágrimas, desesperos e excessos, e uma face feia ímpossivel de ocultar. Existem ideais, existem pessoas apaixonadas pelo Amor, e não por outras pessoas, existem projecções de sonhos próprios, existem instintos básicos por consumar, fogos que não arderam até ao fim. E, na ânsia de se perseguir esse ideal, não se valorizam pequenos momentos banais e até rotineiros, mas são esses momentos que fazem o ninho e o amor real crescerem.
O Amor é possível se estiverem lá todos os ingredientes para ele crescer: humor, honestidade, e vontade. Com estes cresce o resto, o desejo, a cumplicidade, a amizade...e se temos a receita perfeita, porque continuamos a dizer que é impossível? Talvez porque seja impossível suportar a perfeição na vida real, mas demasiado trabalhoso investirmos uns nos outros. Será então mais cómodo sonhar com com aquilo que não se pode ter e pôr na gaveta a receita da felicidade.

domingo, 7 de novembro de 2010

O Caminho da Solidão

Ele olhou para ela, exposto e seguro e falou-lhe da solidão, dos momentos de silêncio pesado partilhados consigo próprio. Falou-lhe do amor que ainda tinha para dar, da fome que tinha de o receber nos braços, no coração, no quarto. Os seus lençois seriam a promessa cumprida de um amor eterno, amor feito de pedaços de prazer, volúpia, e de um desespero sincero. Cantou-lhe canções sobre sentimentos, falou de projectos, procurou-a com os olhos e com a alma, em si procurando um ninho, um abrigo, um regaço.
E entrou no seu coração, misturando-se na sua pele e na sua vida. Povoou os seus sonhos, deu-lhes forma, fôlego e alimento. E ela rendeu-se.Fechou os olhos projectando a sua vida nos dele, e deu o passo em frente. Mas em frente havia um vazio: o passo tinha sido em falso, já havia caído no abismo de uma mentira sem rede de segurança.. Os lençois onde se deitara eram apenas uma teia de mentiras, a solidão afinal tinha companhia, uma vida. Vivera um nada, alimentara-se de palavras falsas e de olhares vazios de sentimentos. Nada era real, mas não fazia mal! Porque um coração partido tem cura... Mas viver uma vida de mentira, dormir à noite com a sua própria verdade, e ter que se olhar nos olhos todos os dias ao espelho enganando-se a si próprio...é ser digno de pena e não de ódio, é chegar ao fim do caminho e descobrir que , afinal, se acabou por percorrer a estrada sozinho.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Assim é o Amor

Inesperadamente ele disse: "Vou dar-te uma dose de tratamento." Eu não sabia o que isto significava, mas fui ao sabor do momento. Porque o Amor é confiança sem medo de saborear o imprevisível. Sem receios entreguei-me com a fé destemida de quem confia no que não vê, não cheira nem sente. Porque o amor  é assim. Com suavidade fui deitada na cama, e foi-me dito ao ouvido em voz doce "Vou usar as mãos mágicas...". Então as mãos cheias de magia deslizaram em mim, como água de um rio a cantar, desaguando na imensidão da minha alma, percorreram as minhas dores e dissiparam-nas, como um ilusionista que usa a varinha e deslumbra a multidão. Em seguida senti água quente no meu rosto, num gesto carinhoso embalado pelas palavras "Isto é para limpar o teu espírito e a tua mente." E eu senti a alma lavada naquele momento único. "Agora vamos meditar.". E num momento de silêncio, na penumbra de uma luz de vela, senti que somos energia e que, quando duas energias se tocam, então é magia, é um momento divino em que Deus, sem dúvida! está dentro de nós e assim está em todo o lado ao mesmo tempo. Quando abri os olhos ele  olhou-me e disse que se sentiu como que a flutuar, e era tão bom. "Então porque paraste?". sorrindo explicou: "Um passo de cada vez". Deitou a minha cabeça no seu colo e beijou-me o cabelo caído. Senti-me amada, protegida, desejada. E percebi: uma criança de doze anos sabe explicar o Amor. O Amor é saber tirar a dor sem que seja preciso pedir; é fazer magia com um simples cenário, num simples gesto; é saber estar em silêncio o tempo necessário, mas ter consciência do outro; é saber dar um passo de cada vez, certo e seguro...E, se uma criança sabe tudo isto, o resto são complicações de mente de adulto que, de tanto procurar o Amor, fica cego quando passa por ele.