domingo, 7 de novembro de 2010

O Caminho da Solidão

Ele olhou para ela, exposto e seguro e falou-lhe da solidão, dos momentos de silêncio pesado partilhados consigo próprio. Falou-lhe do amor que ainda tinha para dar, da fome que tinha de o receber nos braços, no coração, no quarto. Os seus lençois seriam a promessa cumprida de um amor eterno, amor feito de pedaços de prazer, volúpia, e de um desespero sincero. Cantou-lhe canções sobre sentimentos, falou de projectos, procurou-a com os olhos e com a alma, em si procurando um ninho, um abrigo, um regaço.
E entrou no seu coração, misturando-se na sua pele e na sua vida. Povoou os seus sonhos, deu-lhes forma, fôlego e alimento. E ela rendeu-se.Fechou os olhos projectando a sua vida nos dele, e deu o passo em frente. Mas em frente havia um vazio: o passo tinha sido em falso, já havia caído no abismo de uma mentira sem rede de segurança.. Os lençois onde se deitara eram apenas uma teia de mentiras, a solidão afinal tinha companhia, uma vida. Vivera um nada, alimentara-se de palavras falsas e de olhares vazios de sentimentos. Nada era real, mas não fazia mal! Porque um coração partido tem cura... Mas viver uma vida de mentira, dormir à noite com a sua própria verdade, e ter que se olhar nos olhos todos os dias ao espelho enganando-se a si próprio...é ser digno de pena e não de ódio, é chegar ao fim do caminho e descobrir que , afinal, se acabou por percorrer a estrada sozinho.

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