Prolifera por aí o chamado "stress de época natalícia", que eu penso ser uma ansiedade provocada pela corrida contra o tempo, a fim de ter tudo pronto a horas: as prendas certas, nada a faltar na mesa, visitar este e aquele...Ora, eu digo "penso" porque não sou nada afectada por esta virose, é uma época para mim realmente simbólica. Sim senhor, preocupo-me em dar uma lembrança simpática, de preferência feita por mim, tal como aconteceu este ano: decidi dar um pequeno cabaz de Natal, composto por salgados em miniatura, das mais variada qualidades, e azevias de grão para equilibrar a balança dos sabores.

Para mim é perfeito, comecei a preparar as prendas antecipadamente, na tranquilidade da minha cozinha, ao invés do ambiente stressante de um centro comercial onde, chegados a um certo ponto (aquele em que o desespero se instala nas filas intermináveis, o calor torna-se intolerável, e o barulho parece aumentar irracionalmente de volume) o acto de oferecer é uma tortura em vez de ser um gesto de carinho. Naturalmente que comprei uma ou duas prendas, o meu filho não ia achar muita graça a uma dúzia de rissóis de frango ou camarão! e as restantes foram uma graça para juntar ao cabaz, compradas na produção artesanal, por um preço também simbólico, de uma peça única. Eu própria fui artesã, não só na cozinha mas também a fazer postais e pequenos acessórios para oferecer às amigas.
Claro que nem toda a gente tem jeito para fazer isto ou aquilo, mas o problema está em pôr preço nas coisas. Numa época feita de simbolismo (caramba, até a última ceia era só pão e vinho!), o que tem mais valor é mesmo o que está numa etiqueta. Perante isto, o meu cabaz até pode parecer ridículo. Mas não importa. São os meus valores, e a maior prenda que tenho é ver que o meu filho observou, aprendeu e compreendeu. Ainda ontem me disse "não interessa as prendas mãe. O importante é estarmos todos juntos e haver comidinha boa". Portanto, não padeço de stress. Nem ninguém cá em casa. Tranquilamente fui preparando, com muito carinho, as ofertas que tinha em mente. Hoje acabei os postais e finalizei os embrulhos. Para criar um verdadeiro ambiente natalício não faltou a tv sintonizada na série "A Bíblia". E Jesus até é português e tudo. Com direito à alcunha de "Hot Jesus"! Merecida by the way. Embora os pensamentos impuros não se enquadrem aqui, eu sei!
É uma época boa para nos sentirmos gratos pelo que temos, e não para pedirmos mais. Se calhar sou eu que estou fora do verdadeiro espírito dos tempos modernos. Mas não faz mal. Pelo menos não preciso recorrer aos ansiolíticos...embora, pensando bem, uma embalagem de sedoxil com um lacinho fosse uma oferta apreciada por uma ou outra pessoa que eu conheço!