terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Marretada na Memória

Estreou na televisão o filme dos marretas, série que eu via em miúda e que fazia o meu deleite. Num mundo em que abundam desenhos animados com nomes impronunciáves, normalmente de produção chinesa, fazem falta programas destes, em que as personagens são saudavelmente loucas, artistas, apaixonadas!

Nada como uma porca ciumenta e de mau feitio apaixonada por um sapo
, em vez do príncipe de perfeição inantigivel, um cozinheiro com nada de chef, um baterista/animal, rock dos anos 80
, dois velhos críticos com um maravilhoso humor negro...


 ... e muitas mais delícias destas, para nos sentirmos transportados para uma outra dimensão. E tudo isto nos bastidores de um teatro, poderia ser mais perfeito? Claro que a magia já não é igual. Para piorar o filme é dobrado em português, prática de que não sou fã, especialmente quando as vozes originais fazem parte do nosso imaginário infantil. E a miss Piggy agora é muito mais fashion e sofisticada, ou não tivesse ela entretanto trabalhado na vogue, em Paris! A vida muda, nós crescemos e mudamos também. Ficam as memórias de infância, que não podem ser avivadas com um remake que não me encheu o coração. Não por culpa da produção, mas talvez porque certas coisas mantém o encanto somente na forma como as recordamos. Marretas sempre. . . mas nos anos oitenta!

domingo, 22 de dezembro de 2013

Wishing a Zen Christmas


Prolifera por aí o chamado "stress de época natalícia", que eu penso ser uma ansiedade provocada pela corrida contra o tempo, a fim de ter tudo pronto a horas: as prendas certas, nada a faltar na mesa, visitar este e aquele...Ora, eu digo "penso" porque não sou nada afectada por esta virose, é uma época para mim realmente simbólica. Sim senhor, preocupo-me em dar uma lembrança simpática, de preferência feita por mim, tal como aconteceu este ano: decidi dar um pequeno cabaz de Natal, composto por salgados em miniatura, das mais variada qualidades, e azevias de grão para equilibrar a balança dos sabores.
Para mim é perfeito, comecei a preparar as prendas antecipadamente, na tranquilidade da minha cozinha, ao invés do ambiente stressante de um centro comercial onde, chegados a um certo ponto (aquele em que o desespero se instala nas filas intermináveis, o calor torna-se intolerável, e o barulho parece aumentar irracionalmente de volume) o acto de oferecer é uma tortura em vez de ser um gesto de carinho. Naturalmente que comprei uma ou duas prendas, o meu filho não ia achar muita graça a uma dúzia de rissóis de frango ou camarão! e as restantes foram uma graça para juntar ao cabaz, compradas na produção artesanal, por um preço também simbólico, de uma peça única. Eu própria fui artesã, não só na cozinha mas também a fazer postais e pequenos acessórios para oferecer às amigas. 
Claro que nem toda a gente tem jeito para fazer isto ou aquilo, mas o problema está em pôr preço nas coisas. Numa época feita de simbolismo (caramba, até a última ceia era só pão e vinho!), o que tem mais valor é mesmo o que está numa etiqueta. Perante isto, o meu cabaz até pode parecer ridículo. Mas não importa. São os meus valores, e a maior prenda que tenho é ver que o meu filho observou, aprendeu e compreendeu. Ainda ontem me disse "não interessa as prendas mãe. O importante é estarmos todos juntos e haver comidinha boa". Portanto, não padeço de stress. Nem ninguém cá em casa. Tranquilamente fui preparando, com muito carinho, as ofertas que tinha em mente. Hoje acabei os postais e finalizei os embrulhos. Para criar um verdadeiro ambiente natalício não faltou a tv sintonizada na série "A Bíblia". E Jesus até é português e tudo. Com direito à alcunha de "Hot Jesus"! Merecida by the way. Embora os pensamentos impuros não se enquadrem aqui, eu sei!

É uma época boa para nos sentirmos gratos pelo que temos, e não para pedirmos mais. Se calhar sou eu que estou fora do verdadeiro espírito dos tempos modernos. Mas não faz mal. Pelo menos não preciso recorrer aos ansiolíticos...embora, pensando bem, uma embalagem de sedoxil com um lacinho fosse uma oferta apreciada por uma ou outra pessoa que eu conheço! 

A Beleza não tem Calendário

Vêm aí as festas e os seus excessos,altura em que se aproveita para perder as estribeiras a nível de consumo das calorias, uma vez que "já que se vai começar o ano com uma dieta, como já tudo o que tenho a comer". E assim se faz! Come-se este mundo e o outro, entra-se no novo ano, e o raio da dieta não há meio de começar. Ou porque o chefe fez a vida negra, pelo amor de Deus preciso de um jantar calórico para repor as energias perdidas na crise de nervos; ou porque hoje o dia correu tão bem, melhor não podia ter sido,a vida é bela e há que comemorar com uma sobremesa em condições! Ou simplesmente porque a vida é uma neura, tá um frio de rachar, e 'bora lá ver um filme. . . Mas filme sem petiscar qualquer coisa?! Não me parece! E assim passa cada Janeiro, com promessas vãs e quilos a mais, com cada vez mais queixas da vida e menos amor próprio! Uma noite destas comentava com um amigo meu que o meu filho, em conversa que estava a decorrer sobre o conforto do calçado (parece estranho,mas já caminhávamos há mais de meia hora, portanto fazia sentido!) comentou que eu, quando ele era pequeno, era mais vaidosa porque andava sempre de saltos altos. . .
"Era".
Passado.
Hum. . . ! 
Saí em defesa de mim mesma, que usar constantemente saltos altos faz mal à coluna, e que quando ele era pequeno, qualquer trapinho me ficava bem, e a vida era diferente e tal. Mas que, hoje em dia, num estilo diferente, continuo vaidosa. "Mas tu eras mesmo vaidosa! Só que agora envelheceste não é mãe?".
Passado o choque inicial, e recuperada da sensação de ter tido a minha auto estima  apunhalada por um teenager completamente inconsciente, fiquei a reflectir naquilo, e partilhei então com o meu amigo, num bar aqui perto de casa, enquanto bebiamos um café, ele sempre com ar muito distinto, e eu de botas rasas.
"A idade traz outro requinte" - resposta sábia de um cinquentão, que me deixou ainda mais deprimida. Não sei se é isso, ou se é o raio da velhice que nos vai fazendo acomodar, mas não me chamo Inês Alexandra se não fujo a essa armadilha!

Ali, à mesa onde nada se comia, decidi começar a ter mais cuidado com a alimentação, acolher com carinho os legumes tão mal amados, e nunca me esquecer de ter tempo para me mimar, sem desculpas nem preguiças! Claro que o meu amigo, do alto da sua sabedoria, sugeriu inicar esta nobre missão a partir de Janeiro. Não, não! Vou comer com conta peso e medida, mas não deixo para amanhã o que posso fazer hoje, não quero saber se é Natal, nem do espírito culinário que até tem mais peso que o espírito solidário! E assim comecei a minha medida de prevenção no combate ao envelhecimento sem graciosidade. De facto a idade traz coisas maravilhosas, uma segurança em nós mesmos, uma libertação que vem do "estou pouco me lixando para aquilo que pensam", coisa impensável aos vinte anos. Mas não há necessidade de o fazer sem noção de estilo, independentemente da altura do salto!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Mau Tempo no Caminho

Existem fases na nossa vida que se assemelham a um tornado, passam por nós e nada fica igual ao que era; somos confrontados com mudanças, com a morte, seja a de pessoas ou de ciclos da nossa vida interior. E descobrimos que essa morte, a fisica, não separa nunca quem se ama, mas também não une os que por cá ficam, e o céu que era de turbilhão não amaina a sua revolta, apenas se conforma, pois a vida não muda de um dia para o outro como que por encanto, tudo é fruto de uma árdua caminhada.
E estas fases são parte do nosso percurso pessoal. Talvez até nos paralisem. Nos oprimam. Ou deprimam. Mas elas são como as estações da Natureza. E, se enfrentamos uma fase de má tempo, esta leva-nos sempre a um determinado caminho, onde desponta uma nesga de luz e calor. E, aí, a semente de introspecção que em nós germinou, saberá tirar proveito de um novo período fértil, onde nos reinventamos. E onde percebemos que nada é eterno, para o bem e para o mal.