domingo, 22 de dezembro de 2013

A Beleza não tem Calendário

Vêm aí as festas e os seus excessos,altura em que se aproveita para perder as estribeiras a nível de consumo das calorias, uma vez que "já que se vai começar o ano com uma dieta, como já tudo o que tenho a comer". E assim se faz! Come-se este mundo e o outro, entra-se no novo ano, e o raio da dieta não há meio de começar. Ou porque o chefe fez a vida negra, pelo amor de Deus preciso de um jantar calórico para repor as energias perdidas na crise de nervos; ou porque hoje o dia correu tão bem, melhor não podia ter sido,a vida é bela e há que comemorar com uma sobremesa em condições! Ou simplesmente porque a vida é uma neura, tá um frio de rachar, e 'bora lá ver um filme. . . Mas filme sem petiscar qualquer coisa?! Não me parece! E assim passa cada Janeiro, com promessas vãs e quilos a mais, com cada vez mais queixas da vida e menos amor próprio! Uma noite destas comentava com um amigo meu que o meu filho, em conversa que estava a decorrer sobre o conforto do calçado (parece estranho,mas já caminhávamos há mais de meia hora, portanto fazia sentido!) comentou que eu, quando ele era pequeno, era mais vaidosa porque andava sempre de saltos altos. . .
"Era".
Passado.
Hum. . . ! 
Saí em defesa de mim mesma, que usar constantemente saltos altos faz mal à coluna, e que quando ele era pequeno, qualquer trapinho me ficava bem, e a vida era diferente e tal. Mas que, hoje em dia, num estilo diferente, continuo vaidosa. "Mas tu eras mesmo vaidosa! Só que agora envelheceste não é mãe?".
Passado o choque inicial, e recuperada da sensação de ter tido a minha auto estima  apunhalada por um teenager completamente inconsciente, fiquei a reflectir naquilo, e partilhei então com o meu amigo, num bar aqui perto de casa, enquanto bebiamos um café, ele sempre com ar muito distinto, e eu de botas rasas.
"A idade traz outro requinte" - resposta sábia de um cinquentão, que me deixou ainda mais deprimida. Não sei se é isso, ou se é o raio da velhice que nos vai fazendo acomodar, mas não me chamo Inês Alexandra se não fujo a essa armadilha!

Ali, à mesa onde nada se comia, decidi começar a ter mais cuidado com a alimentação, acolher com carinho os legumes tão mal amados, e nunca me esquecer de ter tempo para me mimar, sem desculpas nem preguiças! Claro que o meu amigo, do alto da sua sabedoria, sugeriu inicar esta nobre missão a partir de Janeiro. Não, não! Vou comer com conta peso e medida, mas não deixo para amanhã o que posso fazer hoje, não quero saber se é Natal, nem do espírito culinário que até tem mais peso que o espírito solidário! E assim comecei a minha medida de prevenção no combate ao envelhecimento sem graciosidade. De facto a idade traz coisas maravilhosas, uma segurança em nós mesmos, uma libertação que vem do "estou pouco me lixando para aquilo que pensam", coisa impensável aos vinte anos. Mas não há necessidade de o fazer sem noção de estilo, independentemente da altura do salto!

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