quinta-feira, 28 de abril de 2011

GPS


Encontro-me quando me perco em ti.
E não, não nos tornamos num só.
Eu sou um EU muito consciente
da força da tua presença quente.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Infância nos Dedos



Encosta a cabeça meu menino, mas não durmas.
Corre atrás da tua infância, porque ela é rebelde e escorre entre os dedos.
Faz-lhe uma careta, brinca com ela, corre atrás e sem medo da queda.
Ganha-lhe um abafador, aponta-lhe uma fisga, rasga-lhe os calções, 
brinca com ela à chuva e devora-lhe os Verões.
Encosta a cabeça, conta até três, "aqui vou eu!".
E, assim correndo, todos os dias és um bocadinho menos meu.

Dias Cinzentos



Existem dias em que as paredes da alma se assemelham a ruínas e o céu fica denso e escuro. 
Mas algures, num cantinho à espreita, temos a luz que aguarda a oportunidade de brilhar.

domingo, 24 de abril de 2011

Onde Está O Nemo?



Por vezes olhamos tanto à volta para procurar o que não vemos estar mesmo à nossa frente...ou por baixo, dependendo da perspectiva.

sábado, 23 de abril de 2011

Reciclagem Espiritual





O nosso lugar sagrado está dentro de nós. Por vezes procuramo-lo dentro de uma igreja, nas regras confortáveis de uma religião, nos sonhos que nos falam no nosso inconsciente, na beleza de uma vela a arder, num riso partilhado impossível  de conter, nos olhos de quem amamos incondicionalmente ou de  quem nos ama a nós,  num momento em que estamos apenas a sós... conversando com nós mesmos, reflectindo e observando o nosso mundo e aquele que está à volta. Meditação, oração, crenças e rituais, sítios e lugares...são apenas veículos com os quais nos identificamos, em que manifestamos o pedaço divino que foi distribuído de igual forma por cada um de nós. Cabe-nos a responsabilidade de o desenvolver e de o pôr ao serviço de uma vida digna que ajuda e respeita o próximo. Não se consegue fazê-lo em cada minuto de cada dia, o A B C da nossa espiritualidade não é curso que se tire numa vida. Talvez nem em  duas ou três. Mas isso não importa. Importa o percurso, o esforço, a constante renovação, sem olhar a crenças ou religião. Tudo o resto é ego, que tem lugar marcado no caixote de lixo do universo, chegados ao fim da viagem. É que Deus é ecológico, e também faz a reciclagem.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Notebook


Sou o livro em branco à espera da tua história. 
Escreve em mim as palavras da tua existência, ilustra em mim os teus sonhos,
sê tinta líquida a escorrer nas páginas do meu corpo.
Folheia-me num fim de tarde, enquanto me seguras na mão procurando inspiração.
Não desistas do último capítulo. Não me guardes na gaveta.
Arrisca, rabisca, apaga-me, mas para me voltares a escrever.
Faz-me um índice com cheiro a mar, toque de algodão,
surpresa no olhar,  filme de última sessão.
Reserva-me um lugar na cabeceira da tua cama.
E escreve-me o título "Eu  sou aquele que te ama".

quarta-feira, 20 de abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ler(me)



Ler é o acto de fazer amor com a nossa alma, é dar-lhe asas para crescer, voar, explorar, criar. É ir mais além, é fazer magia com a alquimia que desenha letras e cheira a papel. Se eu fosse um livro queria uma prateleira só minha, e ser lida devagar.

O Fantasma do Amor Passado


És o fantasma do meu passado habitando o meu presente, poeira de memórias no sótão da minha mente. 
A tua lembrança surge pela calada: por vezes na minha cabeça, num cheiro ou num passeio, ou tropeçando numa esquina inesperada.
Assombras-me nas palavras que calo, na solidão que me acaricia a pele, provocadora e saudosa, quase dolorosa...nas noites em que ainda te sonho lembrando os dias que escorregavam preguiçosos (lembras-te?), entre o ontem e o amanhã.
Foste a minha Terra do Nunca, onde o sol não se cansava de brilhar e os sonhos podiam voar.
Às vezes fico por lá, quando me surpreendes com a aparição da tua ausência, olhando para mim sem aqui estar.
E é nesse momento que o meu coração morre um bocadinho. Também é aí que eu sei que estarás sempre comigo, sempre aqui. A força da tua presença desafia o tempo e vive na minha pele, respirando em mim.

domingo, 10 de abril de 2011

Simbiose Do Amor


A tua alma insinuou-se com pézinhos de lã e um cobertor a dois num sofá de Inverno.
E, de repente, sem mais nem menos, tornas-te o meu chão, o meu colchão, a minha cama, o meu pijama. És almofada em mim, és o lençol de cetim.
E o sol ri-se em gargalhadas que escorregam na nossa pele quando vamos juntos, em passeios de areia, ver o mar: és agora a mão dada na minha, és o meu par.
E eu sou viagem sem volta no teu colo, onde me deixo por fim enroscar, embalada em teus braços, que são mastros, navegando nesse teu corpo que no meu vem naufragar...
Juntos somos a canção, letra e música, fé e oração:
A simbiose perfeita que não tem explicação.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Tempo Quieto




O relógio mágico das minhas emoções parou no tempo,
naquele momento, 
naquele respirar.
O Tempo não anda para trás,
mas ficou parado 
no instante de uma noite calada,
sem nada mais para ouvir e dizer,
a não ser um Tic-Tac silencioso,
quieto...
...respeitoso...

Olhar De Baixo


Para vivermos a experiência de uma nova perspectiva precisamos ter abertura de mente para que nos dêem a volta à cabeça...e assim se consegue um bom momento.
 No sentido fotográfico também.

domingo, 3 de abril de 2011

Travel Book


Já é tarde. 
A televisão monologa baixinho.
 E eu, assim de repente, decido viajar.
 Vou até França, século XIX.
Na minha cabeceira já tenho tudo o que preciso.
 A minha bagagem emocional está pronta.
E amanhã não há despertador.

sábado, 2 de abril de 2011

London Fog


Por entre o nevoeiro de um tempo que passou
reconheço a minha voz que chama, distante, insinuante,
como um sangue em convulsão, pulsando furiosamente,
num crescendo surdo que me envolve e seduz.
Eras tu? Serei eu? Saudade do que não me lembro
aos gritos debaixo da pele.
Fecho os olhos para me ver a mim própria.
O meu reflexo é água parada na hora que ali ficou,
estática, vibrando num acorde intemporal.
O relógio parou. O tempo avançou.
E eu fiquei presa no meio.

Quem Pensa Nem Sempre Alcança


Quem pensa demasiado não sai do mesmo sítio, fica paralisado pelos próprios pensamentos que levam a dúvidas e receios; não passeia, não conhece algo diferente do banco onde está sentado; viaja com a mente, mas é uma viagem sem som, sem cheiro, sem sol na pele, sem aventura. E, para além de tudo isto, fica com problemas de circulação, um traseiro dormente, e uma perfeita escoliose na coluna.

sexta-feira, 1 de abril de 2011