sábado, 12 de abril de 2014

Antony and the Johnsons - Hope There's Someone




Existem melodias, letras, vozes, que quando nos invadem, fazem o coração encolher e a alma dilatar.
Esta é uma dessas melodias. Dessas letras. Dessas vozes.

A Poesia não Vai

Foto partilhada na página de Facebook da Lua de Marfim Editora.
Lindo demais. Hipnotizante. Enjoy!


História de uma carta

Lá tropecei num passatempo literário! Para variar isso só acontece na reta final, quando dizem "Atenção! Faltam trinta segundos para poder enviar o seu texto!". Bem, pelo menos é assim que me parece, mas devem ser 48 horas, por aí. Ontem à noite, sem sono, decidi rabiscar qualquer coisa.Exigências: formato Word, espaçamento 1.0, e título obrigatório "A Carta". Prosa ou poesia, não sei quantas linhas, mas escrevi poucas. Prémio: massagem ao ego com os textos escolhidos publicados numa compilação de cartas, com o autor identificado. Porque não? E pronto, pijama vestido, pernas cruzadas, portátil no colo, e gata a dormir ao meu lado. Duas da manhã, cérebro activo! Pareceu-me o cenário perfeito! E foi assim que escrevi uma carta, ou me tornei numa:

A Carta


Hoje, e só hoje, não sou mais que uma carta;
papel timbrado, cuidadosamente dobrado,
onde me escrevo apenas para ti.
Dispo-me do envelope,
de vergonhas, de boa educação,
e a ti e em mim mesmo me escrevo;
sou as mágoas que não te confessei,
sou hoje as palavras que ontem não te disse,
que não te gritei, que não te chorei!
Escrevo-te-me com tinta de raiva,
liberto as palavras presas que não soube dizer
e que não tentaste ouvir, nem em mim ler...
Escorrem no papel das minhas mãos,
como rios inquietos entre margens sofridas,
as frases vertiginosas
feitas de erros ortográficos,
porque falam dos outros,
dos erros das rotinas,
das pequenas mentiras,
da paz podre
que abraçamos entre nós em cada noite,
onde tanto se disse e nada se falou...
Hoje, para ti, sou uma carta.
Olá, como estás?
Espero que esta carta não te encontre bem”,
porque eu não estou bem,
nós não estamos bem!
Nós não estamos...simplesmente.
Escrevo e não sei se me lês...
A tinta secou, a carta acabou.
Vou dobrar-me cuidadosamente...
embrulhar-me num envelope
em que eu sou o remetente.
Mas não consigo chegar a ti,
já não conheço o destinatário!

Enquanto assim te escrevi... não moravas já em mim...