terça-feira, 30 de agosto de 2011

Trunfo na Manga

As cartas da Vida espelham o percurso que é por nós decidido; Somos nós que determinamos se o fazemos pelos caminhos que nos prendem ou por aqueles que nos libertam.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011


Embalo a vida na ponta dos pés;
                                       o meu caminho é música feita de tudo.

O Lugar para Lá de Tudo

Imagem in http://www.espacofashion.net.br

Existe um lugar secreto
para lá dos caminhos de pó usado
e horizonte cansado.

Existe um lugar escondido
resistente à vida e à morte,
que não se esgota na erosão do Tempo.

Existe um lugar encantado
onde os animais bebem,
juntos,
água do mesmo rio,
partilhando a mesma sede;

onde os ninhos embalam a semente
à sombra de uma árvore que devora,
com ramos estendidos,
um céu pintado de mar em que
cantam nuvens que nunca choraram;

onde o Tempo não tem marcas na pele
nem cessa a fome de devorar o outro
como se não houvesse um amanhã nas
mãos que se procuram hoje;

onde risos de trigo correm pelos campos
nos calcanhares de pés descalços, e
beijos distraídos brincam com os cabelos soltos,
contando segredos na brisa morna
de fim de tarde;

onde, na hora em que o sol se espanta,
há uma luz que não morre no olhar
que é eterno na sua infância.

Este é o lugar onde habita o Amor
que para sempre vive em nós,
mesmo quando já dele
não temos memória.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Calor Eterno


Sente-se chegar um vento.
É uma nortada que castiga
a pele com dedos frios
e me entra pelos olhos
numa invasão gelada.
Sinto-me então ave em céu escuro
 e nasce um inverno no meu íntimo;
sou neve a descansar  em ramos de árvores,
sou rio congelado com um
mundo inteiro em mim escondido.
O meu cabelo é chuva caindo
em gotas pelo
vale do meu corpo,
e o meu coração é
lareira em noite de Natal.
Sou animal no abrigo do ninho
encontrando o calor de
um fogo que há
sempre dentro de mim,
seja qual for a estação do ano
que me atravessa.
Amei-te mil vidas.
Outras tantas morri.
E todas as vezes renasci aos teus olhos,
amparada no teu colo,
em cada momento de morte
e vida.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Diálogo Mudo

Imagem in http://tempestade-jesuisentraindechercher.blogspot.com

A nossa pele conversa em silêncio.
Não há lugar para palavras num diálogo
feito de memórias, cheiro a saudade,
fome na alma e
sede no corpo.
A minha pele abraça a tua
como a semente que invade a terra
com a força de viver.
A minha pele a tua devora
com um sorriso arrepiado,
desfaz-se em beijos e
faz-se boca faminta,
que vai buscar na tua
o pão e a água com que 
alimentas a minha noite,
o meu dia,
e todo o calendário da minha vida.

Nas Asas da Memória


Imagem in http://sarahbrito-aerin.blogspot.com
Hoje sonhei-te de novo.
A tua memória são pássaros ansiosos
no vendaval da minha mente.
Voa para longe,
para o lugar onde os
ninhos não têm saudade e
as flores vivem numa eterna primavera;
não há queda da folha
nem sementes ao abandono pelo chão,
e o céu não chora ausências.
Voa... e adormece
eternamente
para as minhas noites.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Da Semente Fez-se Luz

Fotografia de Miguel Costa
Somos plantados sozinhos.
Abaixo de nós há um chão que morrerá só.
Mas pelo caminho existe um ciclo de luz
que nos alimenta,
nos sustenta
e desabrocha.
E assim da semente
nasce a vida que
nos foi destinada
até à hora da colheita.

O Sonho nas Asas

A vida segura-te as asas
com pequenos nadas,
como uma teia subtil
que não se vê mas se sente.
Não desistas de voar.
Nem que, para isso,
tenhas de deixar morrer uma parte de ti
e voltar a nascer
para novos horizontes.

Sweet Dreams

Dreaming a day dream...
closed eyes, awaked mind,
wraped in soft colours
and tender thoughts;
Standing on my own two feet
i can fly...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O Trilho

Desiquilibra o meu mundo.
Acerta os meus passos.
E faz de ti o trilho certo
para eu percorrer.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

B&W

A espera demorada
dilui os pretos e brancos de uma vida,
em cinzentos de dúvidas
e tonalidades incertas.
Quando um sentimento demora
torna-se apenas a sombra de uma cor
que podia ter sido.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Tarde at The Office

Entre o som de um rádio e
a monotonia de quatro paredes brancas,
sem arte ou inspiração
evado-me para o mundo real,
que é aquele que vive cá dentro,
e deixo-me guiar,em escassos segundos,
pela vontade da minha mão...
E assim viajo no tempo
para fora do tempo
e as paredes tornam-se jardim
com cheiro a Verão.

Despojos

Sou os despojos
das escolhas de ontem.
Amanhã serei o recomeço
depois das cinzas poisarem.
Hoje sou a quietude,
a prece,
e o silêncio do aprendiz.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cantando...

Transpiram na minha pele as tuas notas musicais.
Soltas então os pássaros na tua voz,
que me levam a um sítio cantado e encantado.
Fazes de mim uma canção negra com alma de luz,
cuja melodia será em ti
intemporal.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Palavras Vagamente Eróticas

Chora-me um rio,
 um mar,
um oceano.
e depois enxuga as lágrimas
no deserto do meu corpo.
Faz dele um oásis,
bebe-me.
Dá descanso ao teu corpo
sobre o cansaço do meu.
Alimenta-te,
deleita-te,
estreita-me...
Segura o meu suspiro
entre as palmas
das tuas mãos,
e guarda o tesouro do
meu prazer,
conquistado no território
do teu abraço.
Deseja-me com a força
de um náufrago que
procura terra.
E ama-me daqui
até ao teu
universo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sermão aos Filhos da Sorte

Imagem in http://tracosehistorias.blogspot.com

Reverencia o prato em que comes.
Existe um mundo faminto
nos olhos de alguém,
em que a luz do dia não é
senão trevas entornadas numa mesa vazia.
Ama o teu lar.
Existem tectos feitos de estrelas
e noites de chuva,
e paredes sem historias quentes
ou risos à solta.
Rejubila com a paz.
Existem infernos na terra
onde o demónio corre à solta
atrás de pés pequenos e descalços,
roubando o colo de um filho
que não o chegou a ser.
Ama os teus.
Festeja a Vida.
Partilha.
Oferece a mão com os dedos todos.
E não chores a tua Sorte.
Pode o Universo revoltar-se e
voltares de novo a nascer
 no lado zangado do Mundo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Nas Asas do Amor

Imagem in http://humanamania.blogspot.com

És asas em mim
que cresceram sem o sentir,
nascendo no peito e acabando 
na ponta dos dedos.
És liberdade semeada no 
cativeiro de um ninho
e um caminho a dois
onde já me sei perder.
Sabes que te inspiro em
momentos de silêncio e quietude?
E o teu cheiro leva-me a
um  sítio nunca ido,
onde nascem a cada canto
flores cor-de-amor
e onde o céu tem todos os
azuis do mundo.
É aí que dou liberdade às
asas que me saem 
do corpo
a cada vez que me amas.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Em Busca da Terra do Nunca


É um vento que se faz tempestade
aquele que me tolda os sentidos e
me cega para a vaga simplicidade da vida.
Tudo aqui é ânsia, tudo é corrida,
tudo é fuga e cobardia,
luta e conquista e,
no fim, monotonia...
Quero mais, algo mais!
Mas nunca quero chegar
ao dia sem anseios.
Faço uma pausa
e tento render-me.
Então, quando já enganei 
toda a gente,
levanto-me do assento do descontentamento
e volto a correr
 atrás ainda não sei de quê.
Amo a Vida.
Mas acho que passo a vida
a fugir dela.

A Viagem




Escrevo-me para ti como se já me pudesses ler, e
fossem apenas gotas de ansiedade
o oceano que vive entre nós.
Dás por ti a sorrir sem saber porquê.
Tu não sabes;
mas já adivinhas a chegada da minha viagem
até ti.
.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O Pó Gasto de uma Vida Caminhada

Ela deita-se e o colchão cede debaixo do seu peso cansado. Enrosca-se um cão num tapete, deitado algures no escuro. Há um silêncio gritante na casa. O silêncio de quem dorme e divaga sozinho.
"Quando é que eu fiquei tão velha?" pergunta-se ela, assustada perante o eco da sua cabeça.
Seria possível a vida ter tido pressa e ter desistido antes que a pudesse viver?
Levanta-se e olha-se no espelho. Não se reconhece naquela pele e naquele corpo de formas que não gosta, que não aceita!
Algures pelo caminho terá caído, da sua bagagem emocional, a auto-estima, tombando numa estrada de pó cansado e repisado.
E hoje apenas vê o reflexo da rejeição de si própria. As mãos agora manchadas pela idade estão também manchadas pela vergonha de não terem sabido lutar e esgravatar pelos seus sonhos. Os cabelos têm fios brancos, brancos de se preocuparem com as dores alheias; perderam a cor de tanto esperar a chegada do dia em que semearia a sua própria terra.
Olha-se nos olhos cansados, sem risos, baços. Vê passar por eles noites sem sono e dias sem vida, animados apenas por gestos programados, onde faltou a doçura que faz a vida ter, por vezes, momentos de algodão doce. Onde faltou o passo em frente.
E para quê? Para quê tantos pequenos passos que levaram a caminho nenhum, que lhe invadiram e mutilaram a  pele?
Agora estava sozinha com o seu passado e sem forças para correr atrás do futuro.
Volta para a cama, consciente de que, nesta vida, aprendera a sobreviver mas não soubera viver.
Promete então a si própria que, amanhã quando acordar, terá a sede de quem se quer abandonar sem rede nos braços do seu destino mas, ao mesmo tempo, terá a fome de quem o quer conquistar.