Sente-se chegar um vento.
É uma nortada que castiga
a pele com dedos frios
e me entra pelos olhos
numa invasão gelada.
Sinto-me então ave em céu escuro
e nasce um inverno no meu íntimo;
sou neve a descansar em ramos de árvores,
sou rio congelado com um
mundo inteiro em mim escondido.
O meu cabelo é chuva caindo
em gotas pelo
vale do meu corpo,
e o meu coração é
lareira em noite de Natal.
Sou animal no abrigo do ninho
encontrando o calor de
um fogo que há
sempre dentro de mim,
seja qual for a estação do ano
que me atravessa.

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