quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Carta á Saudade

Querida Saudade:

Venho escrever-te umas letras porque acho que chegou a hora de nos despedirmos...até uma próxima oportunidade inevitável, claro!
Quero dizer-te que muitas vezes me aconcheguei no teu abraço, ouvi os teus acordes musicais e até me deixei voar para longe sem sair do mesmo sítio, divagando, deixando que a nostalgia se aproximasse de mansinho, como um gato que ronrona, sorrateiro aos nossos pés, pelo cair do dia...Foste sim, até uma boa companhia! Mas também me paralisaste, também me isolaste num pedestal de tristeza, de "e ses...", e acabaste por ser algumas vezes como uma mãe sufocante, cheia de avisos "Tem cuidado" Lembra-te da última vez...!"...e eu ficava a lembrar-me, a pensar, a ter saudades da tal última vez, sem dar o próximo passo no recreio da Vida, com medo do baloiço que parecia voar até ao horizonte, de cair e esfolar o joelho...Mas, sabes? eu dou-me melhor com a nostalgia do que quando te tornas em saudosismo, porque a primeira tem um brilho próprio, um quê de alegre, e a última é uma eterna lambe-feridas de cor cinzenta, onde cada pensamento tem o som da chuva a cair...Lamento, mas não vais ter noticias minhas durante algum tempo. A vida é feita de ciclos. Agora vou dar que fazer aos sapatos, vou explorar mais uns quilómetros de experiências e sensações...para mais tarde recordar na minha mente em momentos Polaroid.
Um beijo, com saudade...!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Caminho De Volta


A Vida tem tantas ironias, tantas curvas e contra-curvas que, após caminharmos um longo caminho e de deixarmos para trás a pele que nos vestia, de lambermos as feridas até não haver aparentemente marcas, de nos recriarmos e reinventarmos, de olharmos o mundo com novo olhar e um novo coração...espreitamos por cima do ombro e acabamos por reconhecer o nosso rosto entre o nevoeiro do tempo que já passou...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

The Dream Of Myself


Muitas vezes damos uma chance à sorte, ao registar um boletim de euromilhões ou ao atravessar a passadeira ainda com o sinal vermelho; outras vezes damos uma chance ao bom tempo quando saímos de casa sem chapéu de chuva debaixo de um céu mal humorado e cinzento; e, invariavelmente, damos uma e outra chance a outra pessoa, confiando com provas dadas do contrário, porque desejamos ser amados e realizar os nossos sonhos através de outros olhos.
Mas muito, muito raramente, damos uma chance a nós próprios, ao nosso potencial, ao nosso eu tão precioso e frequentemente deixado ao abandono...
Porque não dar uma chance aos nossos sonhos, e desafiá-los também a jogar à sorte, a correr na estrada e a passear à chuva?! Talvez eles acabem por derrotar a realidade, sendo muito melhores do que nos atreveríamos a sonhar.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Amor, I love Me

Dia dos Namorados, ou melhor dizendo, feliz dia de "se- hoje- não- me-ofereces- uma- prenda- é- porque- não- me- amas- e- não- quero- saber- da- crise"...
Um dia para ser utilizado como pretexto para manifestar o amor que se nutre pelo par...não me parece mal!
Parece-me mal muita gente utilizá-lo como único pretexto. Parece-me mal já não se oferecer apenas um bocado de papel com algo escrito pela mão e sentido com o coração...não será bem mais pessoal e emotivo que um telemóvel ou uma peça de roupa? Um beijo enviado pelo correio, um cobertor e um termo de café numa praia algures, sem velas e só com a luz da lua...?
E porque não tudo isto só porque sim? Devíamos amar os pequenos momentos espontâneos, devíamos fazê-los em Agosto, Setembro, Novembro, de noite ou pela manhã...
E devíamos, para sabermos amar o outro todos os dias, aprender desde pequeninos a amar-nos a nós próprios.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Para Ti, Jeanette


Há quem nasça já no olho do furacão.
O seu berço é embalado por ventos inconstantes e a previsão de tempo é impossível de ser feita, pode chover e fazer sol durante a mesma hora. Nestas condições climatéricas torna-se muito difícil criar alicerces fortes o suficiente para estabilizar um cantinho onde crescer. Quem se faz pessoa nestas condições ganha resistência para as situações mais adversas,  o mau tempo nada mais é que uma normalidade, e os reveses da vida são uma realidade conformada. Mas até pelo mau tempo espreitam dias de sol. E para esta claridade e suavidade que, de vez em quando, invadem a rotina do caos, não existe preparação ou defesa, apenas uma estranha surpresa, um espanto quase infantil pelo que se revela para lá da turbulência. E, devagarinho e quase a medo, vai percebendo que há uma normalidade muito mais normal: num telefonema que se faz por preocupação, num "gosto de ti" só porque sim, num "parabéns a você porque tu mereces cá andar", numa rosa inesperada ou num jantar quente à espera, em troca de nada...
As palavras "inteligente", "especial", "bonita" e derivados vão compilando um novo dicionário e alimentando uma nova segurança, um desejo insinuante de ter um chão firme debaixo dos pés...o olho do furacão torna-se pequeno para os novos horizontes e, quem lhe sobrevive, sai dele mais forte e mais belo, porque traz a promessa de uma nova vida no brilho do olhar, e o  Universo é o limite: o Mundo deixa de ser apenas uma volta em oitenta dias vividos na sua imaginação, passa a ser uma realidade a conquistar. 
Assim, no próximo "Parabéns a você" a surpresa não será tão surpresa, e tudo o que vai estar sobre a mesa, desde as flores ao bolo... já não será um mistério dos deuses a desvendar.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Squander



Quem não tem dias assim...?
Em que dizemos à Vida que ela já nada tem para consumir de nós, que já usou e abusou,
que ela nos desiludiu porque já não é um mistério, porque não tem mais nada para oferecer mas continua a exigir de volta tudo aquilo que temos, as forças, o coração.
São dias de céu nublado, de revolta e fogo na alma, de esperança fugidia, que bateu a porta sem ao menos dar uma razão...

Cidade do Amor



Não sei se Paris é realmente a cidade do Amor, uma vez que o Amor é um cidadão do Mundo, com um passaporte ultra carimbado, sem ter poiso certo, errante e nem sempre fiel, tendo várias faces, cores, e manifestações.
Podemos tropeçar nele na fila do autocarro, na livraria da esquina ou na caixa de um supermercado, não existe previsão para a sua chegada.
Mas uma coisa é certa...quem não gostaria de dar um beijo à sombra da Torre Eiffel?
O Amor pode até não estar lá à nossa espera...mas podemos sempre levá-lo já connosco na mochila!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

I Run But I Shiver



Podemos tentar fugir do que nos provoca uma tempestade íntima, do vento que nos levanta os pés do chão sem aviso prévio.
Podemos tentar fugir dos nossos pensamentos através da monotonia robotizada de um dia-a-dia distraído.
Podemos tentar fugir, correr, apanhar um táxi, um avião, rumo a um destino algures fora da nossa cabeça.
Mas ninguém foge de dentro de si próprio.




Surf Lover


O mar do meu corpo, em ti, nunca está flat...
...mesmo passados infinitos ciclos de marés.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Corrida Sem Meta



Correr contra o tempo e desejar que ele volte para trás é...
Inútil.
Doloroso.
Patético.
Amargo.
E inevitável de vez em quando.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O Destino Na Pele




Há quem nasça a uma determinada hora, num determinado dia, sob a influência de um denominado signo solar. 
Assim os deuses decidiram que o destino fica escrito nas estrelas. 
Mas num dia aborrecido conspiraram e decidiram brincar ao futuro. Então escolheram certas pessoas, poucas e especiais pessoas, para trazerem uma constelação inteira, no corpo tatuado.
Assim não interessa a hora, o dia, o lugar...pois têm o destino gravado na pele, e não algures em um céu estrelado...e assim os deuses vêm a história do que aconteceu e que ainda está por vir, que fala das lágrimas, dos pequenos momentos, das grandes alegrias e de todos os desgostos, das vitórias e derrotas, da desilusão e do amor, de cada prazer e cada dor, de um sorriso inesperado, daquele dia com a lareira acesa e daquele momento tão sonhado, dos brindes já feitos e por fazer, dos abraços apertados e das noites de prazer, dos dias com neve e as tardes no mar, dos dias sozinhos e noites a dançar, de uma mão pequenina que se vem entrelaçar...
Cada ponto ligado entre si fala da pessoa que nasceu, que cresceu, que amou e chorou num longo caminho ainda a percorrer. E que, até chegar ao fim, está destinado a ser intenso, muitas vezes sofrido mas bem vivido,  sem nada deixar por fazer...
E os deuses observam, deleitam-se, e maravilham-se...com a proeza do ser humano que consegue carregar consigo o seu destino, e fazer das escolhas do seu caminho uma história digna de ser escrita, seja no Céu ou na Terra.