quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Carta á Saudade

Querida Saudade:

Venho escrever-te umas letras porque acho que chegou a hora de nos despedirmos...até uma próxima oportunidade inevitável, claro!
Quero dizer-te que muitas vezes me aconcheguei no teu abraço, ouvi os teus acordes musicais e até me deixei voar para longe sem sair do mesmo sítio, divagando, deixando que a nostalgia se aproximasse de mansinho, como um gato que ronrona, sorrateiro aos nossos pés, pelo cair do dia...Foste sim, até uma boa companhia! Mas também me paralisaste, também me isolaste num pedestal de tristeza, de "e ses...", e acabaste por ser algumas vezes como uma mãe sufocante, cheia de avisos "Tem cuidado" Lembra-te da última vez...!"...e eu ficava a lembrar-me, a pensar, a ter saudades da tal última vez, sem dar o próximo passo no recreio da Vida, com medo do baloiço que parecia voar até ao horizonte, de cair e esfolar o joelho...Mas, sabes? eu dou-me melhor com a nostalgia do que quando te tornas em saudosismo, porque a primeira tem um brilho próprio, um quê de alegre, e a última é uma eterna lambe-feridas de cor cinzenta, onde cada pensamento tem o som da chuva a cair...Lamento, mas não vais ter noticias minhas durante algum tempo. A vida é feita de ciclos. Agora vou dar que fazer aos sapatos, vou explorar mais uns quilómetros de experiências e sensações...para mais tarde recordar na minha mente em momentos Polaroid.
Um beijo, com saudade...!

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