domingo, 23 de outubro de 2011

Dizer que se gosta,
que se tem saudades,
agradecer um gesto,
sorrir com os olhos,
dar um simples beijo nos dedos,
ou segurar uma mão...
tornam os dias, os momentos!, mais felizes...
É assim a derradeira linguagem do Amor,
aquela que dispensa palavras
e se lê nos gestos,
fazendo crescer um sentimento como planta viçosa,
impedindo que se torne
em erva daninha.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Saber Versus Sentir

Imagem in http://pensandoavida.com

Não sei do Amor.
Sei da saudade que se instala
em noites de ausência
e dos risos soltos
que se riem juntos
num momento de cumplicidade.
Acho que não sei do Amor.
mas sei da sede que aguarda as palavras,
e da fome de as ouvir.
E de todos os pequenos nadas
que formam um todo em mim,
em nós.
Talvez até saiba, afinal, do Amor!
Ou, pelo menos,
dos seus sabores e humores,
alegrias e
dissabores…
Não interessa saber afinal!
Importa, sim, sentir.
Pode o corpo diluir-se num fôlego e
cada curva falar sobre saudade?
Podem as nossas mãos ser
asas audaciosas que
sobreviveram aos caprichos´
do tempo?
Podem os nossos olhos falar
sobre aquilo que não vêem?
Podes tu ser tu,
e eu ser eu,
e juntos sermos um "nós"
improvável, impensável...
inevitável?
Não, não tentes responder.
Abraça-me.
Faz-me apenas sentir tudo
aquilo que não consigo
escrever.
Sou teu em noites de silêncio
e conversas de pele.
Sem tu quereres,
apenas porque és tu,
fazes da noite
dia!
E eu dou-me por inteiro
em cada ciclo de
sol e lua.
Só então me segredas,
nesse momento mágico
em que os horizontes se confundem:
"Não importa o que há no céu.
Criámos um universo nosso
onde me deixo ser tua"...
Espanto-me em cada esquina do Tempo;
ontem era pássaro em busca de um céu de azul
só meu.
Hoje sou terra nos pés,
caminhando os meus receios em
ansiosos passos
de coragem.

A minha vontade é uma força feita de ferro.
Os meus sonhos têm o peso de
mil coisas por cumprir
e que não dormem
no meu descanso.
O meu coração
tem momentos feitos de
manteiga e
medos e
incertezas.
E pelo meio do turbilhão
eu agarro em tudo o que sinto
e em tudo o que quero.
As minhas mãos ganham
um novo fôlego;
e aí eu sei quais
as linhas com que
cozer a minha vida.
Fotografia de Lurdes Baltazar
O Passado pode perder, com o tempo, as suas cores mais brilhantes, e diluir-se em tons de cinzento nas brumas da memória. Mas será sempre vivo em nós, na medida em que perdura naquilo que somos e do futuro que dele fizermos.
Os sentimentos têm que ser alimentados e nutridos diariamente, pacientemente...só assim com o tempo darão frutos, por vezes inesperados.

Saber a Mar

Imagem in http://donakarao.wordpress.com

Sentes-me antes de me tocares?
Beija com o olhar cada linha
da minha boca,
cada curva e sorriso
com que te contemplo.
Cobiça cada gesto
que esvoaça nos meus dedos vaidosos
e segura-me então as mãos
com a urgência que já
te respira na pele.
Transpira-me.
E eu rastejo por cada poro teu.
Esconde-te de mim
entre os fios do meu cabelo
e faz da minha cintura estreita
o molde das tuas mãos largas,
inquietas.
Deslumbra-te enquanto navegas
no mar do meu corpo
e abandona-te nas marés
com que te abates sobre mim
num cansaço salgado.
Chega-te.
Estreita-me.
Respira-me.
E precisa-me.
Aceita tudo o que te dou
e que vês reflectido
no desejo do teu olhar...
mas não peças mais.
O resto de mim
ainda não aprendeu
a dar-se para além da pele.