Está em voga o relacionamento virtual: a insegurança torna-se num charme à prova de bala, numa resposta rápida e desinibida, numa atitude sem complexos, pode-se soltar o animal cá dentro porque, em caso de insucesso, recupera-se do golpe com um simples delete, bloqueia-se o obstáculo e volta-se à carga, auto-estima recuperada com uma ou duas frases feitas e voilá!, volta-se como por magia para um mundo próprio, com espaço apenas para o próprio umbigo! Existem casos em que todo este show de relacionamento moderno leva a algo real, concreto, com essência e, até por vezes, a um final feliz, tão feliz que a prática que era apenas de uma pessoa passa a ser de duas, em comum acordo (e prazer).Mas estas são excepções. A regra é a despersonalização, a compulsão, a fantasia que não dá frutos porque nada é semeado. A mulher ou o homem virtual não tem cheiro, não tem pele, não tem a força única de abraçar, não tem o beijo na orelha nem as mãos a dançar, não diz que ama com os olhos, nem tem o colo depois para dar... é apenas uma terra estéril, é um momento fugaz, recomendado a quem não tem a força suficiente para plantar, a quem se sente preenchido e realizado sem emoções. Talvez seja uma maneira irónica da Natureza dizer que o planeta está com a lotação humana a esgotar...no sexo virtual pelo menos não há forma de procriar.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Aquilo que o Amor quer
Todos os dias ouço falar do que se procura no Amor, seja no trabalho, junto dos amigos, num filme, num livro, num poema...Ora isto fez-me pensar, enquanto arrumava a minha cozinha depois do jantar (lides domésticas podem ser altamente inspiradoras), numa curiosidade: então e o que o Amor quer de nós? Será que sente as suas necessidades satisfeitas? Será que é estimulado a crescer? Com a correria, o materialismo e a banalização dos sentimentos, não me parece tarefa fácil!! Quando já varria o chão visualizei uma lista das coisas que o Amor quer, e parecem-me muito simples: o Amor quer chorar de rir e conseguir rir depois de chorar; o Amor quer pés entrelaçados numa noite quente e o corpo todo abraçado em noites frias; o Amor quer dias de nevoeiro e folhados de Sintra, e quer dias de Verão e banhos de mar; o Amor quer tardes num sofá e o cheiro de um bolo cozido a pairar no ar, quer um cobertor, um beijo na testa e chuva a bater na janela; o Amor quer lençóis e suor, quer pele arrepiada e uma cara corada; o Amor quer conduzir sem destino, quer música, quer mãos dadas e uma troca de olhar; o Amor quer que lhe digam "não estou aqui agora, mas estou sempre contigo", quer um colo e um silêncio, um passeio à beira-mar; o Amor quer intimidade, cumplicidade e a inevitável amizade, quer um banho a dois e um abraço de espuma, quer um copo de vinho acompanhado de um "eu sou tua"; o Amor quer zanga, quer estar sozinho, quer pratos partidos e abraços apertados, quer saudades e sentir-se também desejado; o Amor quer um gesto inesperado, pode ser um beijo, uma mesa posta, um telefonema, uma palavra indecente ao ouvido...O Amor não quer ser falado, quer ser lido com todos os sentidos, não quer frases feitas vazias de sentimento. É pouco exigente, apenas precisa de um pouco de tempo! O único senão é que se manifesta através do olhar, do sorriso, da forma de estar. E andamos todos tão ocupados que não nos olhamos nos olhos como devíamos, sorrimos pouco, damo-nos pouco. Mas há momentos mágicos, em que os astros se alinham e duas pessoas se encontram, se olham, sorriem...e o Amor, até aí tão cansado de se fazer ouvir, dá um salto de alegria, cresce e aparece...e tudo o que já foi vivido, o caminho já percorrido, começa finalmente a fazer sentido.
domingo, 26 de setembro de 2010
De repente fez-se música
O meu fim de semana está a ter uma banda sonora persistente, não só pela força de tanto a ouvir pela mão da minha descendência em idade pré-adolescente, mas porque lentamente foi fazendo sentido aos meus sentidos. Adaptei-a ao meu momento presente e fui-la saboreando, a melodia cantando pelo meu corpo, por cada poro, tocando em mim sentimentos cansados, usados e abusados...
"Tenho um fogo cá dentro que provoca um tumulto prestes a explodir em chamas...
O silêncio quieto define a nossa tristeza, o tumulto interno continua a tentar visitar-me...não importa o quanto tentamos, é demasiada história, demasiadas más notas a tocar na nossa sinfonia...então deixa isso respirar, deixa voar, deixa ir, deixa cair, deixa quebrar-se, queimar lentamente..."
Crash, crash, burn...
let it all burn...
O silêncio quieto define a nossa tristeza, o tumulto interno continua a tentar visitar-me...não importa o quanto tentamos, é demasiada história, demasiadas más notas a tocar na nossa sinfonia...então deixa isso respirar, deixa voar, deixa ir, deixa cair, deixa quebrar-se, queimar lentamente..."
Crash, crash, burn...
let it all burn...
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Não julgues um livro pela capa
Adoro livros.Amo livros.Têm sido os meus melhores amigos, acompanham o meu humor, dormem na minha cabeceira, viajam ao sabor do balanço da minha mala, já me fizeram rir e chorar, já serenaram a minha solidão, já me fizeram sonhar, e voar, voar...Muitos seduzem-me logo pela capa:adoro as cores, a textura...os meus olhos gulosos de leitora rendem-se à partida. O primeiro passo para o inicio de momentos de prazer está dado...Mas não é determinante, porque ele tem que me tocar a alma, tem que me envolver, e eu tenho que me perder nele e perder também a paragem da estação de comboio...Olhando para a minha estante...as relações de leitura mais profundas e deliciosas que já tive...tinham a capa mais feia.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Poção mágica das letras
Alquimia do Momento porque quem escreve algo através do seu olhar faz magia, transforma um pequeno facto sem grande importância, uma qualquer banalidade, em imaginação que escorre líquida no papel. Porque a magia dos momentos está em nós e não nas coisas. Sempre gostei de observar e, depois, de divagar. Por aqui fica o registo das banalidades alquimiadas pela imaginação..
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