quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sentimentos Virtuais


Está em voga o relacionamento virtual: a insegurança torna-se num charme à prova de bala, numa resposta rápida e desinibida, numa atitude sem complexos, pode-se soltar o animal cá dentro porque, em caso de insucesso, recupera-se do golpe com um simples delete, bloqueia-se o obstáculo e volta-se à carga, auto-estima recuperada com uma ou duas frases feitas e voilá!, volta-se como por magia para um mundo próprio, com espaço apenas para o próprio umbigo! Existem casos em que todo este show de relacionamento moderno leva a algo real, concreto, com essência e, até por vezes, a um final feliz, tão feliz que a prática que era apenas de uma pessoa passa a ser de duas, em comum acordo (e prazer).Mas estas são excepções. A regra é a despersonalização, a compulsão, a fantasia que não dá frutos porque nada é semeado. A mulher ou o homem virtual não tem cheiro, não tem pele, não tem a força única de abraçar, não tem o beijo na orelha nem as mãos a dançar, não diz que ama com os olhos, nem tem o colo depois para dar... é apenas uma terra estéril, é um momento fugaz, recomendado a quem não tem a força suficiente para plantar, a quem se sente preenchido e realizado sem emoções. Talvez seja uma maneira irónica da Natureza dizer que o planeta está com a lotação humana a esgotar...no sexo virtual pelo menos não há forma de procriar.

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