Por entre o nevoeiro de um tempo que passou
reconheço a minha voz que chama, distante, insinuante,
como um sangue em convulsão, pulsando furiosamente,
num crescendo surdo que me envolve e seduz.
Eras tu? Serei eu? Saudade do que não me lembro
aos gritos debaixo da pele.
Fecho os olhos para me ver a mim própria.
O meu reflexo é água parada na hora que ali ficou,
estática, vibrando num acorde intemporal.
O relógio parou. O tempo avançou.
E eu fiquei presa no meio.

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