terça-feira, 9 de novembro de 2010

Amor com Vigor


Amor próprio: um amor publicitado em pacotes de leite mas infelizmente existem demasiadas pessoas com intolerância à lactose. Já sabemos que temos de gostar de nós para que outros também gostem, existem livros de auto-ajuda dedicados ao tema, pessoas especializadas em dissertar sobre o assunto, espalhando boa energia e auto-confiança em um qualquer auditório lotado com pessoas inseguras e/ou traumatizadas. Com tantos estudos sobre esta "doença" como ainda não surgiu uma vacina, uma "cura" para esta maleita que afecta milhões de indivíduos? Talvez porque a auto-estima é como uma bola de neve: nascemos puros e seguros, ávidos de aprender sem receios de falhar ou de nos expormos ao ridículo. Mas depois vão-nos sendo incutidos os valores comuns que as crianças que se transformaram em adultos pouco amantes de si próprios vão transmitindo à sua própria descendência. E então esbarramos em pessoas inteligentes, criativas, inovadoras e inspiradoras presas na sua própria concha, com medo do ridículo...Em mulheres lindas, cada uma da sua maneira, que se olham num espelho retorcido pelos complexos que lhes foram ensinados e transmitidos porque são gordas, ou magras demais, ou diferentes...Em homens a quem foi ensinado que o amor tem que implicar violência, fisica ou psicológica, porque não têm o amor-próprio suficiente para se deixarem amar e para confiar...
Nós somos o que nos ensinam e o que aprendemos com os olhos e os ouvidos. Mas cabe-nos a nós, e a mais ninguém quebrar o ciclo: não podemos tolerar que nos digam que somos menos do que valemos, a nossa mente e o nosso corpo são sagrados e dignos de respeito, merecem que se olhe para cada curva com amor, porque cada curva conta o caminho de uma história única, e a mão que a percorrer tem que ter a intenção de amar; corpos marcados pela pancada têm de aprender a transmitir amor com mão suave e voz delicada; as vozes que disseram palavras duras, que nos pisaram e esmagaram, nos lançaram para um sítio negro têm que lá permanecer sózinhas, caladas e esquecidas. Temos a obrigação de darmos voz à nossa voz interior, abrirmos os olhos para a luz que temos cá dentro e que ilumina cada uma das qualidades envergonhadas, reprimidas. Temos que despir tudo o que sabemos e ficarmos frágeis, nus, em frente a um espelho virgem, cujo reflexo mostre toda a pureza com que nascemos, que mostre a fúria e a garra dentro de cada um, capaz de derrubar as mágoas e as dores, as muralhas em nossa volta, por nós erigidas, que nos impedem de sermos felizes! Nós temos um punho fechado com a força de um leão, uma vontade avassaladora de destruir as algemas que não nos deixam ser genuínos, que nos sufocam...essa é a nossa responsabilidade, ninguém nos pode dizer quem somos, nem uma religião, nem quem se ache mais sábio que nós, porque já trazemos a nossa verdade connosco desde o dia em que nascemos! Não cabe a terceiros ter que o fazer por ti e por mim...nós somos o que aprendemos e ouvimos, sim... mas nós é que decidimos o que fazer com isso, se queremos ter pena de nós ou arregaçar mangas e ir à luta da vida!  E a responsabilidade das nossas acções fica nas nossas mãos.

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