Hoje, logo pela manhã, assisti a uma conversa no mínimo interessante!
A conversa decorria entre uma pessoa diabética que já viu amputados dois dedos dos pés. Felizmente, nenhum que lhe tirasse o equilíbrio ao andar. Não sei se é por isso que essa pessoa é muito optimista e desvaloriza as duas cirurgias feitas num espaço de um ano. Ou finge desvalorizar. Mas hoje tinha ali um esmagador de esperanças a dar-lhe conversa! Que tinha um vizinho lá na terra, que também começou por tirar só um dedo como ele, mas que era igualmente diabético e "o mal é eles começarem a mexer".
"Isto não é nada" responde o optimista. "Ah mas depois passaram para o outro pé!"..."Pois, mas isto não é nada".
O esmagador de esperanças sentiu-se frustrado com tanto optimismo, e subiu a parada: "Mas depois dos dedos lá se foi uma perna. E depois dessa perna foi a outra!"
"Isso não acontece sempre, isto aqui não é nada.". IRRA! (vi nos olhos dele que ia dar o golpe final) "Pois, mas a seguir, ele morreu!". E como há esperança para lá da morte, a resposta foi "Para viver sem pernas mais vale estar morto".
Eu é que fiquei esmagada com isto tudo, e ainda não eram nove horas da manhã. O que me faz pensar: seremos às vezes excessivamente optimistas para camuflarmos os nossos medos, sem sequer os admitirmos a nós mesmos? E as pessoas esmagadoras de esperança querem realmente abrir os olhos do outro para a realidade e prestar um bom serviço ao próximo? Ou serão tão azedas que a postura positiva dos outros chega a incomodar por não serem capazes de atingir esse modo de vida?
Mas na verdade, a pergunta que me ocorreu de imediato foi: como é que alguém que ainda recupera de uma amputação, e não está isento de risco no futuro de outras mais, acha que mais vale estar morto?!
"A providência por vezes não é isso que quer" foi a resposta do azedo perante um comentário tão leviano...Não sei se é por escolha da providência ou da negligência, que o homem com dois dedos do pé a menos chegou a este ponto da sua saúde, e desta conversa. Mas não havia providência que aguentasse eu ser testemunha disto sem ainda ter bebido um café! E lá fui eu levar a minha "injecção" de cafeína...com bastante açúcar!
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