quinta-feira, 4 de julho de 2013

15 minutos de Fama

Lembro-me do primeiro Big Brother que passou na televisão portuguesa. Foi um fenómeno, porque ninguém conhecia o formato nem o seu potencial impacto no público, incluindo os concorrentes, tendo estes sido tão genuínos por isso mesmo. Claro que foi um sucesso, porque existe um fascínio natural em ser-se voyeur dos comportamentos alheios...melhor ainda quando se pode comentar abertamente na mesa do café!

No pós-Big brother veio mais do mesmo, em algumas variedades: se és gordo queremos ver-te sofrer para emagreceres, se tens um segredo eu vou descobri-lo...com gigantescas audiências. Quem não gosta de se rir com a falta de cultura geral alheia? e quem não gosta de espreitar as cenas de faca e alguidar do vizinho do lado que, neste caso, o faz pela nossa sala adentro? Televisão é isto mesmo, agradar a todos. Ou deveria ser. Porque a oferta não é muita para quem gostaria de ver em destaque assuntos e pessoas realmente merecedoras de horário nobre. Lembro-me de aparecer em notícia de telejornal o sexo feito dentro da casa mais vigiada do país. Repetidas e repetidas vezes. Então e que tal seguir o dia inteiro de quem salva vidas numa sala de cirurgia? De quem apaga um incêndio e previne um mal maior? De quem corre a noite, de sopa na mão, a matar a fome de quem não conhece? Já foi feita uma ou outra reportagem? Sim! Mas o nível de audiências reflectiu a prioridade de valores na sociedade em que vivemos. Faz-me confusão, muita confusão. Não tenho dúvida que os verdadeiros heróis vivem no anonimato apesar de não se esconderem atrás de uma máscara. Nem precisariam... Infelizmente é mais interessante a falta de conhecimentos geográficos dos concorrentes dos reality shows do que tudo o que poderia ser partilhado por aqueles que, não tendo a fama, têm todo o merecido mérito. E muito menos apoios!

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