segunda-feira, 24 de março de 2014

Ajudar o Pedro e a Ana

https://www.facebook.com/ajudarpedroeana


De entre as muitas páginas de apoio que encontramos na rede social, esta é uma que me toca, porque é o apelo corajoso e sincero de uma mãe que engole o seu orgulho em prol do bem estar do filho Pedro, autista. Ana Martins , para além de mãe tem sido pai, e toda uma família condensada em si, mas também é uma escritora, tendo editado vários livros sobre o tema que a apaixona, o autismo, sendo assim uma pessoa que também ajuda os outros. Eu não conheço pessoalmente a Ana Martins, sou amiga virtual do Facebook, nunca tive uma conversa privada com ela, partilho coisas, sigo o seu blog e a luta diária que ela expõe com coragem, mas sem dramatismos. O ano passado a Ana foi para o hospital, vítima da agressão do filho que, fora da sua rotina habitual, uma vez que as instituições encerram em Agosto, acaba por se tornar violento. Esta situação levou-a a dar uma entrevista num programa de televisão. Apelos foram lançados, por esta e outras mães e pais, mas os apoios continuam escassos, mesmo com a denúncia de situações e das manifestações de protesto nas ruas. Poderia dizer que é preciso alguém morrer para as pessoas competentes abrirem os olhos. Mas não. É este desespero que leva uma mãe a suicidar-se e levar o filho com ela, como o fez não há muito tempo uma mãe, professora, que se lançou para o vazio de um 8º andar, levando o seu filho nos braços, rumo a uma morte certa melhor que uma vida de inferno. Fiquei comovida até às lágrimas. Tive uma pessoa de família que sentiu o sabor do desespero, que teve este desejo uma determinada vez, embora não o tendo concretizado. Farta de ver a filha a sofrer, farta de uma vida de luta, farta de tudo. Mas havia um círculo familiar, um apoio. Quem o não tem, é natural que acabe por sucumbir àquela que parece a única solução…

Esta mãe, Ana Martins, fez um apelo corajoso, criando uma página onde pede ajuda monetária, pois está em atraso com as mensalidades da APPDA, e com certeza tem muitas outras necessidades. Não se lançou de uma janela. Não desistiu. Por enquanto! Tem tido feedback deste pedido de socorro, felizmente. Muita gente tem partilhado e outras contribuído financeiramente também. Mas até quando isto será solução? Quando será que estas pessoas, diferentes, serão consideradas cidadãos como os outros, com potencial para serem também eles um elemento participativo da sociedade? Quando será que a dignidade e o direito a ela não deixará de ser utopia? Eu acho que esse dia nunca chegará. Mas acredito que as coisas poderão melhorar, se nós não nos conformarmos com esta situação. Não precisamos ter alguém próximo de nós que sofra deste flagelo, o de “ser diferente”. Basta imaginarmos a luta que é! A imaginação nunca chega ao que é a realidade, porque só lhe sente o sabor amargo quem, de facto, a vive…

Por isso vamos partilhar. Vamos ajudar, mais que não seja ao lermos sobre o tema, ao tentarmos entender, ao andarmos atentos ao que se passa à nossa volta. Muitas vezes, os pedidos de socorro são demasiado silenciosos e envergonhados. E até podem não morar muito longe de nós…

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