quinta-feira, 20 de março de 2014

Pensamentos em Flor

 
 
Hoje de manhã, ao fazer a minha rotina habitual antes de sair de casa, ocorreu-me mais um dos meus muitos pensamentos descontextualizados daquilo que estou a fazer no momento (neste caso, a lavar os dentes, com a minha gata a passear-se majestosamente pelo lavatório, chicoteando-me com o seu rabo dengoso). Lembrei-me de algo que uma pessoa me disse, a minha irmã mais concretamente, que eu ainda iria ter sucesso numa coisa sobre a qual falávamos na altura. E, conforme me lembrei disto, pensei imediatamente a seguir: "se não consegui até agora, não é com esta idade que o vou conseguir".
 
Este pensamento cruzou o meu cérebro por dois segundos e senti-me imediatamente uma velha, que nada tem a ver com os meus quase 39 anos. Senti-me velha por dentro por pensar isto de mim mesma. Credo, não sou um dinossauro, e se calhar agora é que estou na idade certa de enfrentar determinados desafios! No fabuloso filme, com o mais fabuloso ainda Brad Pitt, "O estranho caso de Benjamin Button", ele nasce velho e vai rejuvenescendo à medida que amadurece por dentro. Ideia tão bonita, onde o equilíbrio perfeito acontece a meio da vida, que é por onde eu ando, mais coisa menos coisa, se tudo correr bem! Portanto, bem vistas as coisas, seja em que ordem for, no meio é que está a virtude.
 
Acharmos que já é tarde para realizar seja que sonho for (excepto se existir algo realmente impeditivo), é o maior obstáculo com que nos podemos deparar; somos sem dúvida o nosso maior inimigo, ao nos deixarmos envelhecer por dentro. Ficamos muitas vezes conformados com o simples facto de sonhar, a magia reside só no conceito, pois assim não há desilusões, tudo é perfeito e exactamente como desejamos...
 
Inércia, conformidade, falta de confiança: os ingredientes certos para uma velhice precoce no nosso íntimo, o único lugar onde pode ser sempre primavera, e o único onde nada se mede pela idade.

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