segunda-feira, 3 de março de 2014

A Bela sem Senão

 
Noite dos Óscares. E as fatiotas têm, normalmente, mais importância que os filmes em si, bem à maneira superficial de Hollywood. Um dos alvos das críticas de moda foi a sempre, para mim, irrepreensível, Angelina Jolie. Uma mulher de beleza intemporal, com uma aura mágica pelo percurso pessoal já decorrido, e pelos valores que defende, que nem por isso são intemporais, seguem modas tal como as outras tendências, sendo por vezes muito démodé numa sociedade cada vez mais consumista.
 
"Mal vestida", "you suck", and so on, foram os comentários que li em rede social. Para mim, foi pouco compreendida a subtileza, e a elegância requintada. Até porque ela não precisa de muito mais, especialmente com aquele marido pelo braço, convenhamos! É uma Angelina menos teatral, mais serena, e eu confesso que me agrada. Nos seus tempos de Lara Croft não era fã, embora não me causasse antipatia, talvez um "quando for grande quero ser assim" com uma pontinha de inveja...
 
O seu percurso pessoal foi ganhando a minha admiração, porque é muito fácil para quem tem tudo evadir-se para um mundo perfeito e não se envolver com a realidade mais feia, e ela fez a opção mais difícil. Como actriz, conquistou-me e apaixonou-me em dois filmes: em "A troca", representando a angústia de uma mãe corajosa com uma representação maravilhosa, e em "O preço da coragem", assumindo o papel da esposa do jornalista assassinado por terroristas, Daniel Pearl. Estava irreconhecível, transformada fisicamente de uma forma que não a favorecia particularmente, mas a sua beleza ultrapassa os pormenores físicos como a cor do cabelo, dos olhos, e da pele...
 
É uma mulher que tem conseguido ir muito além do estatuto de estrela de Hollywood, não sendo a opinião alheia sobre a moda da red carpet provavelmente uma grande prioridade na sua vida. Imagino-a a olhar-se ao espelho e a perguntar "Estou bem Brad?". O olhar a cruzar-se, ele a sorrir e a responder "Estás linda". Suponho que, para ela, nesse momento, isso seria tudo o que bastava...
 
 

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