"Aqui, em Trás-os-Montes, onde o homem é mais inteiro
há as asas de uma pomba lenta
voando sobre os ramos dum pinheiro.
Aqui, em Trás-os-Montes, onde a vida é violenta.
E as fontes correm à medida da garganta
e ceifar mais não basta para encher o celeiro
há mais pão na arca quando canta
no silêncio das montanhas um ceifeiro.
Aqui, em Trás-os-Montes, tudo queima e a sombra é inventada
nas velas dum suposto navio tocado pelo vento
e o sol magoa os olhos com o raiar da madrugada.
E a boca ladra. E as palavras sabem morder.
e a terra arde. E a liberdade é o pensamento
aqui, em Trás-os-Montes, onde a pomba voa sem se perder."
J.L.

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