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| Imagem in manolobig.com |
Esta é uma história verdadeira, ocorrida talvez nos anos 80. É uma história que não conheci, nem a sua protagonista, uma ama com excesso de peso. Mas foi contada por quem convivia com ela. Contada hoje. (Realmente os dias podem ser muito interessantes, mesmo num ambiente com nada de novo, basta os diálogos correrem e haver verdadeira vontade em ouvir e absorver tudo aquilo que é falado à nossa volta.)
Então foi assim: a conversa começou por...mamas! Grandes, pequenas, umas com tanto e outras com tão pouco, opa já me davas um quilo de cada uma das tuas e ficávamos as duas felizes, e por aí fora. Sim, ambiente 100% feminino, lá está! E como existe sempre alguém que se mete em conversa alheia, uma das presentes conhecia, então, uma mulher que tinha as maiores mamas jamais vistas, pelo menos por ela. Eram as mamas generosas da tal ama que, por sinal, o foi dos filhos dela em anos idos de vacas gordas, não no sentido literal claro...forma de expressão! Ouviram-se exclamações de incredulidade quando, para reforçar a ideia que eram as maiores mamas que ela já tinha visto, contou que lhe tinham sido retirados,numa operação, cinco quilos em cada uma. Exagerada, não pode ser! Não não, é mesmo verdade, os bombeiros viram-se aflitos para a socorrer, por causa do balanço que elas causavam ao tentar descer as escadas, desequilibrava a maca, e ela ainda morria da queda na vez do envenenamento. Envenenamento?!
A narrativa subiu de interesse à medida que se falava em descer de andar: voltou-se então atrás no tempo.
A dita senhora havia sido prostituta em Espanha, anos antes. O marido conheceu-a nessa altura, ficou louco por ela, e tirou-a da má vida para ser senhora de bem, de tal maneira que se tornou ama dos filhos alheios. Mas, ao fim de anos de um casamento idílico, o marido extremoso apaixonou-se pela vizinha do andar de cima, que por sinal era um palito de tão magra. Desgostosa, ela ingeriu veneno para pôr fim à vida e não ter de enfrentar a rejeição.
Mostrei-me admirada com os contornos novelescos de toda esta situação, e perguntei se ele se desinteressou dela por ter engordado tanto depois de levar uma vida séria? Não não, ela sempre foi assim! Imensa, mas muito bonita...
Pois, mas pelo jeito, ela não gostava de si mesma o suficiente para suportar a perda de um homem que nem teve a originalidade de mudar, pelo menos, de código postal na nova morada amorosa.
Enfim, está viva ainda hoje, talvez devido ao excesso de peso que tinha, o que impediu um envenenamento fatal. A magreza do andar de cima pode ter posto um fim ao seu relacionamento amoroso, mas o peso que ela tinha a mais salvou-lhe a vida. Por pouco!, porque a imensidão das mamas podia ter provocado um desfecho diferente e muito pouco digno. Provavelmente, e agora penso eu com os meus botões, achou depois de tudo isto, que não valia a pena correr mais riscos, uma vez que o universo lhe deu uma segunda oportunidade... e optou por tirar cinco quilos em cada uma! Homens, afinal, há muitos, bombeiros com força de braços talvez nem tanto, certo? O que prova que, para manter o equilíbrio na vida, temos que gostar primeiro de nós, gordos ou magros, feios ou bonitos...isso e, por vezes, mudar de morada também, de preferência em andar térreo e longe do ex.
Auto-estima foi, assim, o ponto fulcral de uma história de mamas, que acabam por ser o menos curioso de tudo aquilo que foi contado em hora de pausa laboral!


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