quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O Tudo ou o Nada

Uma pessoa, de sexo masculino, fez a seguinte pergunta a uma amiga minha: "O que é para ti o amor? Podes definir?".
Ela, apanhada de surpresa, não teve a resposta na ponta da língua. Então, para ser rápida e prática, respondeu da seguinte forma: "Imagina um saco, onde pomos tudo aquilo que para nós é importante, e fecha-se muito bem fechado. O conjunto de tudo o que está lá dentro é o amor".
Pensava que o tinha arrumado, os homens gostam de mulheres práticas e de respostas concisas, não é? Mas não este! Concordou que era uma boa resposta, só que cada um de nós tem um saco com coisas importantes, que podem não o ser para a outra pessoa. Quais eram as coisas que o saco dela tinha?
Surpresa, eis um homem que gostava de falar sobre as coisas não palpáveis...como os sentimentos! Então enumerou a amizade, a cumplicidade, a confiança, o sexo...não era o que toda a gente procurava?
Correcto. E se o saco se abre um pouco? Por pouco que seja? Se um dos elementos que faziam o todo chamado amor, se escapa...o que fica lá dentro? o quase-amor? é com isso que se vive? com uma quase-realização amorosa? será que o saco se torna um fardo? e se, com a perda de uma das coisas importantes para nós, vamos perdendo as outras aos poucos? e, ao perdê-las, vivemos meramente conformados?
Todas estas questões levantadas por um homem, que pegou no exemplo simples, dado por uma mulher, sobre um saco, um simples e banal saco! E, com a sua mente inquieta e curiosa, ele abriu-lhe os horizontes, fê-la lembrar-se que um saco também se pode abrir, que nada se encerra para sempre, e que a vida, a vida de tanta gente, pode muito bem ser como uma grande peça de teatro, da qual se é protagonista e espectador ao mesmo tempo, deixando as cenas correrem, sem se pensar nelas e no seu significado, como um guião decorado, que vai perdendo a magia a cada repetição.
E, assim, ela concluiu que sem magia ou verdade, mais vale um saco temporariamente vazio na mão, que um amor por realizar.

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