sábado, 10 de agosto de 2013

Happy Day in mummy's heart


Ontem foi um HAPPY DAY! Não porque me saiu uns quantos euros na raspadinha (o que era ótimo), nem porque o chefe decidiu ir de férias para o Algarve (melhor que raspadinha), ou qualquer outra coisa desse género. Não tem a ver com matéria, nem riqueza palpável. Mas sim com riqueza de espirito. O meu filho de 15 anos esteve um mês sem me ver, foi de férias e deu-me férias a mim. Refrescante para os dois, e para o gato lá de casa que teve pausa na tortura de amor. Juro que nos primeiros dias pensava que o bicho estava em coma mas, afinal, estava só a pôr em dia todo o sono atrasado!
O filho pródigo regressou, e eu idealizava o abraço de saudades, o beijo repenicado, a tagarelice habitual, e o caos do qual já tinha muitas saudades...Bem, nada disso! Chegou-me a casa um morenaço lindo e sisudo, de poucas falas e muitas saudades da playstation e do seu sofá, sobre o qual se esticou após o jantar, ficando hipnotizado a olhar para a televisão. Eu, sentada à secretária, a navegar na internet. Ou seja, pareciamos um daqueles casais juntos à 50 anos, que já não falam, mas em versão mãe-filho. Fiquei aborrecida, esforcei-me por não fazer drama (já lhe vão chegar os dramas femininos quando tiver namorada, convém poupá-lo por enquanto), e deitei-me desiludida, adormecendo nos braços da paciência, como qualquer mãe que se preze. Acordou um novo dia, e pés a caminho em direcção ao trabalho. Rotina normal. Ou não! Ao fim de uma hora recebo um telefonema: "Olá mãe". E o pedido de desculpas mais emocionante da minha vida. Não só pediu desculpa como fez questão de explicar a sua atitude: o regresso a casa provocou-lhe stress, vinha da calma e da tranquilidade do campo, onde assentou ideias e recuperou de um período muito difícil que ambos atravessamos recentemente. O regresso à realidade foi duro, avivou-lhe memórias e deixou-o triste. Mas nada tinha a ver com o facto de gostar muito de mim e de ter tido saudades. Porque gosta mesmo muito de mim. E teve mesmo muitas saudades... Contudo, tinha que se justificar e pedir desculpas para poder passar um dia tranquilo; a consciência pesava-lhe muito! E apertou-se mais este laço. O laço, não só de mãe e filho, mas o laço de quem atravessou um deserto lado a lado e onde, confesso, ele foi mais o meu pilar que eu o dele. Vimos sonhos desfazerem-se como nuvens em dia ventoso. Mas juntos criamos sonhos novos, e renascemos na esperança de um novo futuro e na cicatrização das feridas.
Tudo isto, e a consciência de que o meu filho é uma pessoa de carácter, que assume erros e responsabilidades, encheu-me o coração de amor e orgulho. Apesar de tentar transmitir valores com as minhas atitudes, mais que com as palavras, este não é um feito maternal. É ele que é assim, felizmente. A semente saiu pura! E um homem de quinze anos bate, assim e aos pontos, muitos meninos de trinta.
 You go Eduardo! Mummy loves you!

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