O poder das palavras escritas continua sempre a fascinar-me. Podem falar do poder do olhar, do sorriso, e por aí fora. Mas o que é certo é que toda essa linguagem é subjectiva e perde-se na tradução: cada um interpreta como quer ou lhe convém. Mas o preto no branco, o abecedário transformado em sílabas, em palavras, em frases, tem um poder irreversível. Através das palavras confessamo-nos, exorcizamo-nos, lavamos a alma e esvaziamos o coração do que está a mais. É como se se tratasse de um acordo escrito, entre nós e o que vai cá dentro. Mesmo que o destinatário não sejamos nós mesmos, mas sim o alvo do nosso amor, da nossa mágoa, da nossa amizade, da nossa culpa. É a nossa essência, boa ou má, despejada em forma de letras. E no A E I O U das emoções, o que está escrito, escrito está.

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