segunda-feira, 4 de junho de 2012

Desesperança


Somos um povo já sem o rosto da vergonha, porque a vergonha não tem fome nem crianças ao colo, sem sapatos nos pés ou caminhos por onde crescer; a miséria não tem política ou estatuto, apenas um prato vazio à espera...por isso não há que ter vergonha! Estamos despidos ao frio de um inverno que se abate sobre nós, sentimo-nos sós, abandonados por aqueles que têm o dever de nos inspirar a ir mais além, a querer mais além!, a sentir o brio lusitano de uma raça pura...Mas, agora, apenas temos fome e comemos o orgulho. Agora, apenas nos interessa o nosso tecto. Não importa o além-mar e as glórias idas de horizontes desconhecidos, pois limitaram o nosso; somos a bruma esvaecida dos tempos da coragem cega. Já nem vergonha temos...Temos, sim, um prato vazio à nossa frente, e apenas queremos o pão nosso de cada dia. Vergonha devia ter quem no-lo tira da boca! Porque a vergonha não tem partido político nem filhos ao colo: mas nunca deve deixar de ter humanidade.

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