domingo, 5 de março de 2017

Viagem Noturna



Ainda não nasceu alvorada no

vislumbre da nossa madrugada.

E eu ouço uma canção na

dança das tuas asas

em redor de mim;

são inquietas,

de penas ansiosas a

viajar no firmamento

do meu corpo,

onde se quebram e abatem,

cansadas,

caindo por terra sem vento

nem lamento...

desfazendo-se então em

água que

eu bebo como chão sedento.

E dessa sede

renasce a fonte...

E ouço novamente uma

canção,

agora na palma da tua mão,

que se ri e

quase chora!

no aperto que me faz...

e dóis-me,

e fazes-me feliz na

viagem por onde

me levas e

me cegas.

As paredes não falam e

viram a cara,

envergonhadas,

quando estremeces e

fazes dos meus seios a

âncora do teu corpo

náufrago de prazer.

E então,

tanto sal que sinto em mim,

nos meus lábios

e nos teus mergulhados

nos meus!

Assim,

de âncora,

torno-me em cais:

seremos porto de abrigo,

em cada uma das

noites

de tempestade a


dois...

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