Este é o país das
exigências e das não-soluções associadas a elas. É obrigatório
isto e aquilo, mas as condições para o fazer não são da
responsabilidade de quem o exige, o que eu acho uma grande ironia!
Um exemplo de que vou
falar, talvez por tanto me sensibilizar, é o da educação. Até há
uns anos atrás a escolaridade era obrigatória até aos 16 anos. Com
essa idade já não se obrigava um jovem a investir naquilo que não
queria, nem a gastar recursos dos pais e do estado. Era permitido
trabalhar, com o devido consentimento dos pais ou tutores. Mais tarde
poderia recuperar o estudo de uma forma mais madura e motivada. Agora
não! Agora um jovem com 16 ou 17 anos não tem a capacidade de
escolha que um de 18, o que faz todo o sentido porque é do
conhecimento geral que alguns meses transformam a a mente e o
espírito de uma pessoa não é? Portanto, a escolaridade obrigatória
passou a ser o 12º ano, ou pelo menos até à maioridade,
independentemente de não haver produtividade. Os jovens podem até
andar a passear os livros, a faltar de forma alternada, mas o que
importa é que não integrem a estatística do abandono escolar,
porque queremos equiparar-nos a outros países, somos pequenos mas
grandes!claro que o custo dos livros e de todo o material escolar
fica a cargo dos pais, não obstante o baixo rendimento familiar
compensado por abonos vergonhosos, mas isso são pormenores que não
fazem grande diferença, os números mais importantes são os do
cofre de estado...
Agora, vamos falar
daqueles alunos que são obrigados a andar os tais anos na escola,
com baixo rendimento escolar, repetindo ano após ano por terem
dificuldades de aprendizagem ou outra condição que os obriga a
integrar o ensino especial, que de especial só tem o nome, e a
diferença que se nota é na descriminação. Se procuram outras
vias, não as encontram, condicionados pela idade ou pela
escolaridade obtida à data. Mas têm que ir à escola. Vão perder o
ano, sofrer com a diferença porque são alunos crescidos a
frequentar o básico? Têm que ir à escola. Mas está legislado que
pode ter ensino doméstico, é um direito que assiste aos pais dar ao
seu filho o ensino que considera adequado. Ah, não se meta nisso,
está legislado mas põem tanto entraves que nunca mais se
resolve...e ele tem que ir à escola. Mas ele não quer desistir da
formação, quer ser alguém na vida, por ali é que não consegue.
Não há outro caminho?! Não... E tem de ir à escola! Mas,
mas...não importa a boa vontade do técnico que, off the record,
concorda e partilha com a revolta de quem pede ajuda. Estamos presos
num sistema. Ele domina-nos. E quem quer educar o seu filho da forma
que o sistema, esse monstro invisível esmagador de sonhos, não
prevê, pode ainda ter grandes problemas.
Uma nota importante neste
meu texto: eu falo de ensino público. Porque o sistema pode não ter
soluções, mas o óleo que faz funcionar a engrenagem chama-se
dinheiro. E com dinheiro o ensino especial torna-se mesmo especial. E
o mundo é um lugar fantástico e cheio de oportunidades! Para quem é
pobre, o mundo não deixa de ter oportunidades, mas só se conseguem
aproveitar além-fronteiras: este país não é para velhos... e nem
para jovens!

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