quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O Tal do Sistema



Este é o país das exigências e das não-soluções associadas a elas. É obrigatório isto e aquilo, mas as condições para o fazer não são da responsabilidade de quem o exige, o que eu acho uma grande ironia!

Um exemplo de que vou falar, talvez por tanto me sensibilizar, é o da educação. Até há uns anos atrás a escolaridade era obrigatória até aos 16 anos. Com essa idade já não se obrigava um jovem a investir naquilo que não queria, nem a gastar recursos dos pais e do estado. Era permitido trabalhar, com o devido consentimento dos pais ou tutores. Mais tarde poderia recuperar o estudo de uma forma mais madura e motivada. Agora não! Agora um jovem com 16 ou 17 anos não tem a capacidade de escolha que um de 18, o que faz todo o sentido porque é do conhecimento geral que alguns meses transformam a a mente e o espírito de uma pessoa não é? Portanto, a escolaridade obrigatória passou a ser o 12º ano, ou pelo menos até à maioridade, independentemente de não haver produtividade. Os jovens podem até andar a passear os livros, a faltar de forma alternada, mas o que importa é que não integrem a estatística do abandono escolar, porque queremos equiparar-nos a outros países, somos pequenos mas grandes!claro que o custo dos livros e de todo o material escolar fica a cargo dos pais, não obstante o baixo rendimento familiar compensado por abonos vergonhosos, mas isso são pormenores que não fazem grande diferença, os números mais importantes são os do cofre de estado...

Agora, vamos falar daqueles alunos que são obrigados a andar os tais anos na escola, com baixo rendimento escolar, repetindo ano após ano por terem dificuldades de aprendizagem ou outra condição que os obriga a integrar o ensino especial, que de especial só tem o nome, e a diferença que se nota é na descriminação. Se procuram outras vias, não as encontram, condicionados pela idade ou pela escolaridade obtida à data. Mas têm que ir à escola. Vão perder o ano, sofrer com a diferença porque são alunos crescidos a frequentar o básico? Têm que ir à escola. Mas está legislado que pode ter ensino doméstico, é um direito que assiste aos pais dar ao seu filho o ensino que considera adequado. Ah, não se meta nisso, está legislado mas põem tanto entraves que nunca mais se resolve...e ele tem que ir à escola. Mas ele não quer desistir da formação, quer ser alguém na vida, por ali é que não consegue. Não há outro caminho?! Não... E tem de ir à escola! Mas, mas...não importa a boa vontade do técnico que, off the record, concorda e partilha com a revolta de quem pede ajuda. Estamos presos num sistema. Ele domina-nos. E quem quer educar o seu filho da forma que o sistema, esse monstro invisível esmagador de sonhos, não prevê, pode ainda ter grandes problemas.

Uma nota importante neste meu texto: eu falo de ensino público. Porque o sistema pode não ter soluções, mas o óleo que faz funcionar a engrenagem chama-se dinheiro. E com dinheiro o ensino especial torna-se mesmo especial. E o mundo é um lugar fantástico e cheio de oportunidades! Para quem é pobre, o mundo não deixa de ter oportunidades, mas só se conseguem aproveitar além-fronteiras: este país não é para velhos... e nem para jovens!

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