O tema em moda ultimamente tem sido, lá está! a Moda. Sempre presente nas nossas vidas, ganhou uma nova intensidade na semana da Moda Lisboa, evento cada vez mais nas luzes da ribalta iluminando as estrelas da passerelle, e mais importantes ainda, as estrelas fora dela.
Cada desfile é temático, e não importa propriamente o trapinho que se veste mas sim a mensagem que se quer transmitir, as épocas que se querem recuperar, as ideologias que se querem afirmar através da costura de uma bainha, de um botão de punho ou adorno nunca antes visto.
O espetáculo de moda é o espetáculo das luzes, dos sons na berra, das vaidades da plateia, do aparecer e ser visto, de preferência sob um holofote, de marcar a presença no espaço fotográfico, numa vertigem glamourosa de coiffure, make-up, curvas em haute couture, Manolo Blahnik e Jimmy Choo em passos ensaiados de red carpet...
Tudo faz parte do show, em que tudo o que menos importa é o lado
prático da coisa, pois o objetivo não é bem o conforto e o dia-a-dia de uma
pessoa comum... O que me remete a um programa que já teve a última temporada,
mas que considero de verdadeiro serviço público, uma vez que ajudam pessoas,
referenciadas pela família ou amigos, a mudarem o seu visual, sendo este
adequado à personalidade de cada um, e usados de forma inteligente cores
padrões e formas, fomentando a autoestima de uma mulher ou homem que se
deslumbram perante o reflexo de si mesmos no espelho, quase como se estivessem
a ser apresentados ao seu eu naquele momento. E nós, espectadores, ficamos
também deslumbrados, pensando que a pessoa realmente fica mais bonita com
aquele makeover, mas acima de tudo
com uma nova postura, uma beleza que vem de dentro para fora, que ilumina
olhos, cabelo, pele, endireita as costas e traz consigo um novo sorriso. Muito
subtilmente os dois apresentadores de What
Not to Wear fazem como que uma terapia às fragilidades e inseguranças da pessoa,
ao mesmo tempo que ensinam a acentuar a cintura que não se via e que,
afinal!existia, ou mostram que existem umas pernas dignas de se ver, embora
também possam ensinar que "mais é menos" àquelas mulheres que tentam
compensar a passagem do tempo expondo mais pele e transmitindo uma ideia
errada (e sim!vê-se muito...)
E novamente
nós, enquanto espectadores, damos por nós a sentir uma identificação com os erros de moda e as
fragilidades alheias e a pensar que aquela pessoa, a vestir dois
ou três tamanhos acima do que é considerado beleza nos dias de hoje (e, Deus
nos livre, nunca na vida com lugar numa passerelle!), é uma pessoa linda, porque é que se
sentia feia ou o que seja?! E olhamos para nós mesmos numa epifania...pois é, se
calhar sofremos todos do mesmo mal! Stacey & London, com a sua química, bom
humor e mão de ferro, fazem pelos meros mortais o que um desfile de moda não
faria, sem dúvida alguma!
A minha
opinião pode ser considerada pirosa e not
fashion, e talvez até transmita a ideia que não gosto de trapos, o que não
é verdade, na adolescência cheguei a criar a minha própria roupa e costurei-a
com as minhas próprias mãos...! porque para mim moda é isto, é uma coisa que
nos deve fazer sentir bem, dar conforto e segurança em nós mesmos, tem que ser
algo exequível para a nossa realidade. Encarando e valorizando certa moda como
uma mera obra de arte, com utilidade apenas no corpo de uma modelo, para
contemplação somente, eu prefiro outro tipo de artes: ir a um museu, a uma sala
de teatro, ou apreciar o espetáculo da natureza num passeio de inverno na praia,
ou no Outono pelo campo... tudo isto é arte, e cada ocasião tem para si
reservada um modelito apropriado! Podem não ter as tais das 86-60-86...mas
caramba!ficam-me bem!



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