quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Corte & Costura

 
 
 
O tema em moda ultimamente tem sido, lá está! a Moda. Sempre presente nas nossas vidas, ganhou uma nova intensidade na semana da Moda Lisboa, evento cada vez mais nas luzes da ribalta iluminando as estrelas da passerelle, e mais importantes ainda, as estrelas fora dela.
Cada desfile é temático, e não importa propriamente o trapinho que se veste mas sim a mensagem que se quer transmitir, as épocas que se querem recuperar, as ideologias que se querem afirmar através da costura de uma bainha, de um botão de punho ou adorno nunca antes visto.
O espetáculo de moda é o espetáculo das luzes, dos sons na berra, das vaidades da plateia, do aparecer e ser visto, de preferência sob um holofote, de marcar a presença no espaço fotográfico, numa vertigem glamourosa de coiffure, make-up, curvas em haute coutureManolo Blahnik e Jimmy Choo em passos ensaiados de red carpet...
 

Tudo faz parte do show, em que tudo o que menos importa é o lado prático da coisa, pois o objetivo não é bem o conforto e o dia-a-dia de uma pessoa comum... O que me remete a um programa que já teve a última temporada, mas que considero de verdadeiro serviço público, uma vez que ajudam pessoas, referenciadas pela família ou amigos, a mudarem o seu visual, sendo este adequado à personalidade de cada um, e usados de forma inteligente cores padrões e formas, fomentando a autoestima de uma mulher ou homem que se deslumbram perante o reflexo de si mesmos no espelho, quase como se estivessem a ser apresentados ao seu eu naquele momento. E nós, espectadores, ficamos também deslumbrados, pensando que a pessoa realmente fica mais bonita com aquele makeover, mas acima de tudo com uma nova postura, uma beleza que vem de dentro para fora, que ilumina olhos, cabelo, pele, endireita as costas e traz consigo um novo sorriso. Muito subtilmente os dois apresentadores de What Not to Wear fazem como que uma terapia às fragilidades e inseguranças da pessoa, ao mesmo tempo que ensinam a acentuar a cintura que não se via e que, afinal!existia, ou mostram que existem umas pernas dignas de se ver, embora também possam ensinar que "mais é menos" àquelas mulheres que tentam compensar a passagem do tempo expondo mais pele e transmitindo uma ideia errada (e sim!vê-se muito...)
E novamente nós, enquanto espectadores, damos por nós a sentir uma identificação com os erros de moda e as fragilidades alheias e a pensar que aquela pessoa, a vestir dois ou três tamanhos acima do que é considerado beleza nos dias de hoje (e, Deus nos livre, nunca na vida com lugar numa passerelle!), é uma pessoa linda, porque é que se sentia feia ou o que seja?! E olhamos para nós mesmos numa epifania...pois é, se calhar sofremos todos do mesmo mal! Stacey & London, com a sua química, bom humor e mão de ferro, fazem pelos meros mortais o que um desfile de moda não faria, sem dúvida alguma!

 
A minha opinião pode ser considerada pirosa e not fashion, e talvez até transmita a ideia que não gosto de trapos, o que não é verdade, na adolescência cheguei a criar a minha própria roupa e costurei-a com as minhas próprias mãos...! porque para mim moda é isto, é uma coisa que nos deve fazer sentir bem, dar conforto e segurança em nós mesmos, tem que ser algo exequível para a nossa realidade. Encarando e valorizando certa moda como uma mera obra de arte, com utilidade apenas no corpo de uma modelo, para contemplação somente, eu prefiro outro tipo de artes: ir a um museu, a uma sala de teatro, ou apreciar o espetáculo da natureza num passeio de inverno na praia, ou no Outono pelo campo... tudo isto é arte, e cada ocasião tem para si reservada um modelito apropriado! Podem não ter as tais das 86-60-86...mas caramba!ficam-me bem!



Sem comentários:

Enviar um comentário