2014 já nasceu há 25 dias. Parece mal não ter escrito, até agora, uma única palavra sobre o assunto. Não ter pensado carinhosamente em palavras de esperança irracional pela viragem de mais um dia no calendário. Não me ter despedido de 2013! Afinal de contas mantivemos uma relação de 12 meses... Vi proliferar, especialmente nas redes sociais, as mensagens profundas sobre lições aprendidas no ano que findou, do melhor que a pessoa se tornou, e sobre todas as coisas boas que o próximo irá trazer...
Portanto...aqui vão umas linhas.
Começo por 2013:
Foste um ano filho da puta. Trouxeste-me dissabores mas nada de lições novas. Levei murros no estômago, pancadas na cabeça, esmagaste-me a auto-estima, levaste-me pessoas, morreram-me pessoas, umas para sempre no plano fisico, outras para sempre na minha vida; umas são cinzas, outras são memórias vivas. Morreu algo em mim também, e para quê? Não é preciso o desespero, a desilusão, um coração partido, uma e outra vez, para aprender uma grande lição que poderia fazer de mim um ser humano melhor.
Obrigadinho, já me considero boa o suficiente, não preciso de mais cicatrizes.
Foste um ano filho da puta mesmo. Foste o ano em que rastejei aos pés de mim mesma, em que tive de procurar dentro de mim uma forma digna de me reerguer. Não havia necessidade, não concordas querido ano passado...?
Agora 2014...o que esperar de dias num calendário? As horas passam da mesma forma. Não acordei renascida!, como se tivesse descoberto a fórmula secreta da felicidade, da suprema sabedoria para lidar com todas as tretas que a vida nos traz...
Contudo, pensando bem. despejamos a responsabilidade das nossas escolhas nos desgraçados dos meses que passam por nós, mas é a nossa cabeça e coração que fazem essas mesmas escolhas;
A morte é incontornável, seja quando for que acontece, e temos que encontrar paz em nós para lidar com ela;
O que nos acontece de mau, infligido por outros, é da responsabilidade deles. Quando nos conseguem infligir repetidamente a mesma dor, a culpa é repartida entre quem a causa e quem a ela se submete.
E a passagem do ano nada mais é que um pôr e nascer do sol, indiferente às nossas dores e aos nossos sonhos...Há que ir, sobretudo, em frente. No calendário, e na nossa postura perante a vida.

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