domingo, 1 de setembro de 2013

(des)Mascarar




Trago um afecto na palma da mão.
Não pesa, não fala.
Apenas existe.
E a sua simplicidade 
como que invade,
num caos sereno
que tolda a calma, a alma.
Sou mão fechada que resiste
a uma força que vem de fora
e me sonha por dentro.
Que me corre nas veias,
quebra-me os ossos, rasga-me a pele, 
tomba-me o corpo;
por fim cai a máscara num sopro que dói.
Silêncio, espanto...!
Ferve-me o sangue 
numa ebulição latente, quente.
A mão está agora vazia,
trémula,
mas não sozinha nem perdida...
Respira agora por dentro do peito
toda a magia outrora
nela contida.

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