quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Welcome to Zombieland


 
Ontem, durante a hora de almoço, estava eu com colegas minhas sentadas à mesa habitual do refeitório, quando me deparei com o seguinte cenário: um utente, já idoso, especou-se junto a nós, com a boca aberta e uns restos do almoço na cara, a olhar para os nossos pratos. A pele com um tom acinzentado e os olhos como que vazios, interessados apenas naquilo que estávamos a comer. De imediato ouvi uma voz na minha cabeça, a dizer em tom teatral “Welcome to Zombieland”. E senti-me algo entre, o deprimida perante tal visão, com vontade de rir pelo pensamento algo sádico, e um pouco menos vontade de comer! Como este utente, existem outros. E é interessante o fascínio que um prato de comida, em especial o do vizinho, pode exercer em certas pessoas com mais idade. Será que, lentamente, nos vamos tornando zombies, mais mortos que vivos? Não pela vista que se cansa, o joelho que emperra, a pele que enruga, a mama que descai, e outras “flacilidades” que não me apetece descrever aqui…? Mas sim pelo atrofiamento mental voluntário, o estreitamento de horizontes, de anseios, de curiosidades que vão para lá da ementa semanal? Por aquilo que vou vendo ao longo dos (poucos) anos em que trabalho na área do serviço social, penso que é exatamente o que acontece a quem não se interessa por si mesmo, achando que se acabaram as capacidades, que nada mais há para aprender ou para questionar. Eu não me consigo imaginar assim, seja em que tipo de futuro for. E tudo farei, enquanto for viva e com capacidades, para manter a minha mente e criatividade em ebulição, e para não me contentar com um dia-a-dia robotizado, alimentando apenas o corpo…Deus me salve e guarde de vir a ser uma futura inquilina da Zombieland; posso até vir a andar de bengala. Mas, caramba! vou ter sempre um livro na outra.

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