terça-feira, 20 de agosto de 2013

Falar Menos, Ouvir Mais




Muitas vezes não ouvimos uma canção até ao fim, porque o início parece ser monótono e a melodia não nos canta ao coração. Então, calamos-lhe a voz e passamos para a seguinte da faixa, sem lhe darmos a hipótese de contar a sua história até ao fim. Perdemos, assim, um excelente momento musical, como é este caso. Começa quase demasiado suavemente, numa melodia que parece contar um segredo que pode não despertar a curiosidade imediata. Mas, com o passar dos segundos ela ganha voz, vida, num crescendo cadenciado que leva a um clímax só destinado aos pacientes. Depois, ouve-se uma e outra vez, e o início que se adivinhava monótono é agora delicioso. A envolvencia é subtil e, quando se dá por isso, já está na lista de downloads. Assim é com a música, assim é com certas pessoas. 
Uma vez um amigo meu disse-me, na sequência da conversa que estava a decorrer, que "as pessoas por vezes desiludem-nos, pensamos conhecê-las e afinal não é bem assim". Respondi que é um facto que as pessoas por vezes nos desiludem, mas também acontece nós vermos apenas aquilo que queremos ver, e elas apenas vão até onde nós as deixamos ir. E que, talvez, a gente não se dê a conhecer o suficiente aos outros; tal como acontece na música, por vezes não mostramos todos os acordes da nossa melodia (por insegurança, desconfiança, ou incertezas sobre o outro). E, por vezes também, não temos a paciência suficiente para ouvir a dos outros. Num mundo feito de hits instantâneos que duram apenas uma temporada, existem felizmente os sons intemporais, que perduram no tempo e na nossa memória, que se tornam naquela a que chamamos "a minha música". Ou, com sorte, a nossa.

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