sábado, 17 de agosto de 2013

Menos é Mais

Imagem in vivopelavida.com.br 



Ia eu, há uns tempos atrás, antes do início do verão, a caminho do trabalho, quando passaram por mim duas crianças, um menino e uma menina, ela com os seus seis anos e ele pouco mais velho, ou da mesma idade. De mochila às costas e de mãos dadas. Talvez fossem irmãos.
Ao passarem por mim ouço-o dizer: "Espera. Quero dar-te uma coisa". Dei por mim a olhar com curiosidade, tal como ela. Ele largou-lhe a mão, agachou-se, e arrancou uma flor que despontava no meio das ervas. Ela aceitou-a com um sorriso, deu-lhe a outra mão, e seguiram novamente caminho, lado a lado e em silêncio, rumo à escola. Eu estava parada, deliciada com um cenário tão simples.
Foi uma imagem que não esqueci até hoje. Talvez pelo gesto simples em dar, e também em receber...
Dou comigo a pensar se, daqui por uns anos, quando ele quiser oferecer algo a alguém por quem se apaixonar, será tudo assim tão simples. Certamente irá hesitar, pensar. A sua oferta será bem recebida? As suas intenções serão entendidas? E talvez a pessoa a quem dar também irá hesitar, pensar, imaginar todas as possíveis intenções por trás do gesto. Crescemos a aprender a fazer jogos emocionais, a manipular e a racionalizar sentimentos; a simplicidade é algo de que desconfiar! Mas tudo pode ser tão simples como "Quero dar-te uma coisa". E, também simples assim, o aceitar com naturalidade, vivendo apenas e só aquele momento, onde todos saem a ganhar.

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