quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Feeling(s)


Imagem in hotrat.blogspot.com 



Instinto. Fala-se muito no instinto, em segui-lo como uma candeia que nos leva até ao sítio certo e, quem sabe, predestinado. Eu mesma sempre fui muito apologista desta ideia, até porque dá menos trabalho: É isso que sentes? 'Bora lá!
Não sendo nenhuma anciã, já vivi um bocado para perceber que este conceito é sobrevalorizado. Não porque esse feeling não exista. Mas, muitas vezes, a voz que ouvimos não é a do instinto, mas a do nosso desejo, de querermos algo que, necessariamente, não é aquilo que, de facto, precisamos, fazendo-nos avançar quando há que recuar. Ou é a voz de feridas mal fechadas, que nos mandam recuar quando devemos avançar. Distinguir estas acções impulsivas, do instinto em si como conceito de uma sabedoria inconsciente que todos trazemos desde que nascemos...bolas, não é fácil! Eu mesma já me vi em sarilhos, em nome do instinto! 
Acreditamos em determinadas palavras alheias e agimos de acordo com elas, porque não se parte do princípio que as palavras não carregam honestidade; ajudamos quem precisa, numa entrega que "é o coração que manda", porque é inconcebível que alguém vá cuspir no prato onde come. E assim se entrega muitas vezes o ouro ao bandido, não pela força de uma vontade maior que nós, mas sim porque simplesmente acreditamos que a vida pode ser exactamente como nós achamos que deve ser: o resultado perfeito do Grande Plano. Chama-se ingenuidade. Ou fé cega. Mas não instinto. Então, talvez o melhor seja fazer orelhas moucas ao primeiro impulso, parar para pensar, reflectir. E depois de o termos feito, pensar de novo. E, talvez assim, consigamos ouvir dentro de nós uma voz mais conselheira, mais sábia. Se calhar, e afinal, talvez o instinto seja simplesmente a voz da experiência que já não se deixa domar pelo impulso original. Tenho a certeza que Eva se arrependeu de ter feito o snack de maçã e, se pudesse voltar atrás, pensaria duas vezes antes de dar a dentada proibida..Eu, se pudesse, faria muita coisa diferente. Claro que algumas pessoas diriam agora "não serias quem és, não estarias aqui da mesma maneira". Pois não! É esse o objectivo. Talvez estivesse num sítio melhor. E seria eu na mesma, mas com menos bagagem emocional, daquela que não faz falta nenhuma!
Resta-me a esperança na lei do carma, embora tenha falhas esse plano cósmico, do meu ponto de vista. Mas isso fica para uma próxima...Entretanto o meu instinto(?) diz-me que a lei do retorno só vai devolver alguma coisa lá para a idade da reforma. Bem, talvez seja optimismo apenas...porque tenho a expectativa de uma reforma, o que neste cenário de crise... é questionável!

2 comentários:

  1. Palavras sábias... só pode chegar a essa conclusão quem já passou por isso.

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    1. A experiência da vida! Resta-nos usá-la da melhor forma. . . com optimismo! :-)

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