sábado, 17 de agosto de 2013

Amanhã é um Novo Dia

"Estar com a telha" - Eis uma expressão que define um dia mal-humorado, aparentemente sem razão, embora eu acredite que tudo tem um motivo. Acho mais provável que um dia assim seja despoletado por um assunto mal resolvido ou um problema ainda existente nos meandros do nosso inconsciente.
Normalmente "estar com a telha" é algo passageiro, como uma virose sem grandes consequências, excepto quando se despeja o mau humor em cima de alguém (que normalmente é alguém próximo, e de quem gostamos) e se acaba por fazer danos colaterais, os quais temos que remediar mais tarde com um pedido de desculpas. "Desculpa, estava com a telha...", "Então come uma isca que isso passa!". Engraçado como os momentos e humores da nossa vida são descritos certeiramente através de ditados e expressões sábias, embora neste caso não se aplicasse à minha pessoa, pois gosto tanto de iscas como gosto de açorda. E não, não gosto mesmo nada de açorda...!
E pronto, "estar com a telha" é um estado estúpido que normalmente leva a um embaraçoso pedido de desculpa. E, em vez de "estar", o que será "andar com a telha?" Andar lado a lado, deitar e acordar com ela, até ameaçar tornar-se um modo de vida? Onde nem os prazeres fúteis conseguem elevar-nos a um estado de felicidade instantânea? Será este o resultado de ignorar um ou outro dia de telha, e não se aprofundar o real motivo de um estado de espírito sem explicação? Será que fazer isto é como quem toma um analgésico para disfarçar uma dor que não se sabe de onde vem? E depois o monstro acorda e instala-se numa enxaqueca permanente? Haverá cabeça que aguente?!
Com o stress que nos rodeia e a quantidade (e variedade) de problemas que nos assolam em simultâneo, sem dó nem piedade, deveria ser obrigatório, e comparticipado pelo sistema nacional de saúde!, o internamento, pelo tempo que fosse necessário, num SPA...munido de todas as terapias zen a que um stressado tem direito, pagando apenas uma simbólica taxa moderadora, onde está incluída a admissão do(a) melhor amigo(a) do(a) paciente, como complemento terapêutico. Penso que sairia, a longo prazo, mais económico e mais ecológico; nada de psiquiatras, nem drogas que acabam por toldar a consciência de nós mesmos e nos dão uma falsa sensação de paz interior...
Talvez assim já não andaríamos, a maior parte de nós, a bater com a cabeça, mas com jeitinho!, porque já lá vai o tempo em que se podia mandar pintar as paredes de casa todos os anos...
Sendo que esta solução é utópica, sobra outra: a malta junta-se em terapia de grupo, de vez em quando, e bebe as amarguras da vida, os sonhos por realizar, as frustrações, os desamores, os problemas com os filhos, e tudo aquilo que está recalcado nos dias de boa disposição. E a medicação desta terapia tem o patrocínio de uma marca de cerveja. O que vai resultar, no dia seguinte, numa "telha" acompanhada de uma valente ressaca...Sem dúvida, e lá diz o ditado (desta feita em inglês, porque a sabedoria é uma coisa universal): "Misery loves company".

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