sábado, 25 de junho de 2011
A Solidão Mata
Esta semana aconteceu uma tragédia no meu local de trabalho: uma das pessoas que o frequentava assiduamente optou por virar as costas aos problemas...e à sua vida também. De uma forma atroz e dolorosa. Quase parecia que se estava a punir pelo acto que infligia a si própria.
Foi um choque que nos atingiu a todos como uma bofetada na cara. Não por a pessoa em questão nos ser especialmente querida, mas sim por ser uma presença constante, que partilhava a hora do almoço, que chegou a rir connosco e a chorar algumas lágrimas. Uma daquelas presenças que, de ser tão constante, se dá mais por ela na sua ausência. O choque veio de sabermos que aquela alma estava deprimida, sem vontade de viver devido a problemas do conhecimento geral, e nunca ninguém pensou que uma figura apagada pudesse ter uma iniciativa do género. Ou seja, a tragédia ganhava forma, ideia e determinação sentada ao nosso lado. E ninguém deu por isso! Cada um de nós ficou a pensar: "Podia ter dito mais qualquer coisa naquele dia?", "Podia ter sido mais paciente, o meu sorriso ter sido mais largo?".
Na verdade estendi a mão mais de uma vez. Muitas pessoas o fizeram. Mas faltou amor no gesto. Por mim eu sei que sim. Fi-lo mais para apaziguar a minha consciência. E agora penso: será que isso torna o gesto correcto? Será que não olhamos, inconscientemente, "de cima" para algumas pessoas que nos inspiram menos simpatia mas que se encontram em situações delicadas? Que têm um mundo interior tal como nós, feito de dores e desalento? Será que não nos precipitamos ao criticar, julgar, e impacientar....? Faz falta colocarmo-nos nos pés do outro, e ter compaixão independentemente da simpatia que alguém nos inspira. Faz falta pararmos aqueles dois segundos em vez de andarmos em frente, mal olhando para o rosto que nos interpela. Faz mal não sorrir. Faz mal sermos invisíveis uns para os outros, pois tornamos o Mundo num grande deserto cheio de gente. Temos, cada um de nós, que descer do nosso pedestal caseiro, e tomar um banho de realidade. Sermos humildes. Humildade é o contrário de servilismo, é sermos maiores que o nosso ego, é melhorarmos como ser humano.
Esta tragédia trouxe algo de positivo: ouvimos um grito silencioso, e isso tornou-nos mais atentos em relação à solidão alheia. E abriu-nos os olhos para a nossa própria fealdade.
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