segunda-feira, 16 de março de 2015

Grand Budapest Film





Este fim de semana vi o filme de Wes Anderson "Grand Budapest Hotel", e posso dizer que foram cem minutos de prazer cinematográfico, em que fui transportada para outra época/década, e senti-me como que a desfolhar um livro enquanto a acção se desenrolava, o que penso ser o maior elogio que se pode fazer à sétima arte, quando esta se inspira numa obra e capta a essência desta: os cenários, os pormenores de vestuário e ambiente, os diálogos, os personagens suis generis, foram todos eles ingredientes para uma receita imbatível.
Um elenco de peso, mesmo que com uma pequena participação, com destaque para Ralph Fiennes, em grande como é habitual. Não posso dizer "no seu melhor", porque em cada papel novo está sempre no seu melhor, reinventando-se, porque ora nos surge como o paciente inglês, ou fiel jardineiro, ora em versão dark side como psicopata, feiticeiro cujo-nome-não-se-pronuncia, ou Deus do Olimpo reinando as trevas...
Desta feita é um porteiro extremoso, educado e perfumado, de jeito delicado e orador de poemas (que nunca são recitados até ao fim), amante de velhas ricas (ou "peças do lombo"como carinhosamente as intitula) classificando-as como "bombas na cama" para espanto do seu fiel paquete, demasiado jovem para apreciar metáforas de talhante.
Apreciador da arte e do lucro que dela possa advir, este porteiro e o seu companheiro são os heróis de um filme que se pode chamar de acção, onde não faltam perseguições, degolações, dedos cortados, assassinos de pés descalços e afins.
É um filme deveras merecedor do seu prémio: original e envolvente, com excelentes interpretações, e que reúne a unanimidade no sentido em que a maioria das pessoas que o veem, o apreciam. Para os que não gostam, como os mais de 200 que votaram "thumbs down" no trailer acima demonstrado...bem, como diria M. Gustave na sua forma mais educada e elegante possível: "Oh, fuck it!"

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