No local de trabalho há uma monotonia latente combatida pelo som da rádio. Tema "Happy". Um som contrastante, a lembrar o sol e os pés livres! A conversa flui em temas variados, mais non-sense consoante o aborrecimento.
Fala-se das crónicas radiofónicas, do Ronaldo que levou com um isqueiro na cabeça mais invejada do mundo futebolístico, das intrigas de bastidores e autênticas novelas mexicanas que assistimos ao vivo no ambiente que nos rodeia, e tal como um bocejo, a boa disposição que uma de nós traz contagia a outra, num ciclo deliciosamente vicioso, que faz suportar as horas que passam devagar entre o som das teclas, das folhas que deslizam pelas mãos, o toque ocasional do telefone, e o som ritmado da fotocopiadora, que trabalha quase mais que nós, com poucas pausas e sem cafeína, numa exemplar falta de necessidade de estímulos.
A monotonia acaba por se tornar reconfortante, como um abraço que já se conhece de cor mas que se torna necessário. E eu, que vivo esta monotonia, que depende apenas e só da disposição que trazemos connosco, dou por mim a pensar que tenho tanta sorte por me poder aborrecer de morte de quando em vez. Vi uma reportagem na TV, em que faziam o retrato atual das mulheres desempregadas entre os 35 e o s 40 anos: são velhas e imprestáveis, vivem numa adrenalina constante, a de não saber como sobreviver. Por isso, a minha obrigação é sorrir todos os dias, mesmo nos chuvosos, naqueles em que a vida corre mais devagar, em gestos sem urgência...nos tempos que atravessamos, esta tranquilidade assemelha-se ao sonho americano em terras lusas!

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