sábado, 21 de setembro de 2013

Regresso a Casa


Tive três dias de férias que, aliados aos dois dias de folga semanais, me proporcionaram uns belos cinco dias de descanso. Reservo, todos os anos, uns dias que coincidem com a entrada do meu filho na escola, sempre um período de grande ansiedade para ele, e que eu faço questão de apoiar, e tentar minimizar. Foram apenas cinco dias. Sem passeios para fora da zona de residência, sem idas a cinema ou a almoçar ou jantar fora, Foram dias de ninho, de amar o que é mais meu. Fui uma fada do lar, mudei a disposição dos móveis, fiz bricolage, criando pormenores que tornam mais nossa a nossa casa!, inventei receitas e deliciei-me na cozinha: pequenos almoços em bandeja, almoços apetitosos sem atenção ao colesterol (férias são férias), lanches à inglesa, onde não faltava o bule do chá fumegante e o bolo morno feito com farinha de milho e muito carinho, e jantares fora do vulgar, com uma sopa em plano B como alternativa às experiências exóticas, mas à qual não foi preciso recorrer, felizmente!
Na ausência do estudante não faltou a "bica" matinal, a conversa descontraída com os donos da mercearia, que ao invés de falarem de cusquices e das vidas alheias que passam na rua, falam também de receitas novas a experimentar, e das notícias que já nada trazem de novo.
A ida obrigatória à biblioteca, para entrega de livros sobre karate e afins requisitados pelo meu filho, deu no regresso boleia a um livro para mim. Tenho uma estante com muitos para ler cá em casa, digo sempre a mim mesma que não tenho necessidade de requisitar, mas é como que uma atracção fatal, sento-me no sofá silencioso a ler uma revista e começo a ouvir sussurros que vêm do piso de cima... são eles, alinhados de A a Z, a chamarem por mim... Subo então a escada, "só p'ra ver", e cedo à tentação em três segundos. Desta feita a prateleira dos H's lançou-me nas mãos um livro da Joanne Harris, "Valete de Copas e Dama de Espadas". Não tive culpa. E, se nunca se diz que não a uma boa receita, muito menos a um bom livro, certo? Então, entre a bricolage e as panelas, fui folheando o livro, rendendo-me a ele como já não me acontecia há algum tempo. Pelo meio pus em dia algumas séries de televisão de que gosto muito (obrigada Senhor pelas gravações automáticas), e fui mãe sem cansaço fazendo, nestes cinco dias, do meu filho um alvo de amor, uma vítima de ataques culinários, de pipocas e filmes de videoclube, de passeios em fins de tarde...em suma, uma violência de mimos satisfatória para ambos!
Normalmente férias são associadas a viagens e aventuras, que por vezes até acabam num inferno familiar, regressando todos a casa com mais stress do que quando foram. As minhas foram umas mini-férias rotineiras, onde tive o que precisava: terapia mental, dormindo pouco e tirando extremo prazer de cada pequeno momento. O meu micro-cosmos voltou a ser habitado, isento de stress e ansiedade: regressei a mim, e de mim mesma já estava com saudades.

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