Tive três dias de férias que, aliados aos dois dias de folga semanais, me proporcionaram uns belos cinco dias de descanso. Reservo, todos os anos, uns dias que coincidem com a entrada do meu filho na escola, sempre um período de grande ansiedade para ele, e que eu faço questão de apoiar, e tentar minimizar. Foram apenas cinco dias. Sem passeios para fora da zona de residência, sem idas a cinema ou a almoçar ou jantar fora, Foram dias de ninho, de amar o que é mais meu. Fui uma fada do lar, mudei a disposição dos móveis, fiz bricolage, criando pormenores que tornam mais nossa a nossa casa!, inventei receitas e deliciei-me na cozinha: pequenos almoços em bandeja, almoços apetitosos sem atenção ao colesterol (férias são férias), lanches à inglesa, onde não faltava o bule do chá fumegante e o bolo morno feito com farinha de milho e muito carinho, e jantares fora do vulgar, com uma sopa em plano B como alternativa às experiências exóticas, mas à qual não foi preciso recorrer, felizmente!
Na ausência do estudante não faltou a "bica" matinal, a conversa descontraída com os donos da mercearia, que ao invés de falarem de cusquices e das vidas alheias que passam na rua, falam também de receitas novas a experimentar, e das notícias que já nada trazem de novo.
A ida obrigatória à biblioteca, para entrega de livros sobre karate e afins requisitados pelo meu filho, deu no regresso boleia a um livro para mim. Tenho uma estante com muitos para ler cá em casa, digo sempre a mim mesma que não tenho necessidade de requisitar, mas é como que uma atracção fatal, sento-me no sofá silencioso a ler uma revista e começo a ouvir sussurros que vêm do piso de cima... são eles, alinhados de A a Z, a chamarem por mim... Subo então a escada, "só p'ra ver", e cedo à tentação em três segundos. Desta feita a prateleira dos H's lançou-me nas mãos um livro da Joanne Harris, "Valete de Copas e Dama de Espadas". Não tive culpa. E, se nunca se diz que não a uma boa receita, muito menos a um bom livro, certo? Então, entre a bricolage e as panelas, fui folheando o livro, rendendo-me a ele como já não me acontecia há algum tempo. Pelo meio pus em dia algumas séries de televisão de que gosto muito (obrigada Senhor pelas gravações automáticas), e fui mãe sem cansaço fazendo, nestes cinco dias, do meu filho um alvo de amor, uma vítima de ataques culinários, de pipocas e filmes de videoclube, de passeios em fins de tarde...em suma, uma violência de mimos satisfatória para ambos!
Normalmente férias são associadas a viagens e aventuras, que por vezes até acabam num inferno familiar, regressando todos a casa com mais stress do que quando foram. As minhas foram umas mini-férias rotineiras, onde tive o que precisava: terapia mental, dormindo pouco e tirando extremo prazer de cada pequeno momento. O meu micro-cosmos voltou a ser habitado, isento de stress e ansiedade: regressei a mim, e de mim mesma já estava com saudades.



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