Ela passa pelo outro lado da rua.
Vai altiva e segura das
suas pernas elegantes.
Viram-se cabeças
e os olhos fazem um
banquete inesperado.
Ela tem um cabelo feito de seda
que dança na brisa como
serpentes ondulantes,
hipnotizantes,
e um perfil desenhado
no atelier de Olympus.
Leva a delicadeza da asa
de um pássaro
nos saltos dos sapatos.
O seu corpo é curvas
e dá vida e graça
a um vestido que,
sem ele, não tem cor.
Tem lábios que não sorriem
mas prometem um néctar
digno de uma garrafa empoeirada
numa adega de luxo.
E as exclamações deliciadas
saltitam atrás dos seus passos de
sereia em terra.
Que maravilhosa a textura
de manteiga que se
adivinha na sua pele!
Toda ela é o som de um violino
que toca pela rua fora
inspirando os espectadores surdos.
Eles deslumbram-se com a perfeição,
eles querem ser assim...
uma imagem sem defeitos,
deusa de visita aos mortais
e sem problemas existenciais,
mulher sem identidade com
maquilhagem perfeita.
Mas uma deusa também dorme...
sózinha, num pijama de griffe
e chora de forma perfeita,
escondida atrás de um rímel
à prova de lágrimas.

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