quarta-feira, 27 de julho de 2011

Devaneio Campestre


Levanta os olhos do
papel que sentes como sendo
a minha pele.
Sou mais que folhas onde
me escrevo para ti.
Cheira-me.
Sou como o laranjal em flor
que escreve um pomar de histórias
prontas a ser colhidas e relidas.
Folheia-me, mas sente-me!
Sou mais que as palavras que
me voam dos dedos...
Não me percas no labirinto de
letras
onde te invado e
procuro.
Voa antes comigo quando
eu sou águia a planar 
sobre os montes.
Toca-me e sente que sou feita de
carne e osso e
sangue manchado de tinta.
Abandona-te na rede que balouça 
na preguiça da minha mente
e perde-te comigo no momento
que ainda está por escrever.
Vem comigo ser vento que 
brinca nas folhas e
agita as águas do meu regaço.
Come morangos na minha boca e
sê peregrino no 
trilho do meu corpo.
Folheia-me. Lê-me.
Mas olha-me, cheira-me, toca-me.
E descobre que sou 
mais que apenas um
livro aberto na palma
da tua mão.

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