quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Sonho


Sonhei-te um dia,
num dia em que a Luz era diferente
e havia uma urgência no Vento, no Tempo.
Eras aquele pulsar em que te pressentia e
onde preparavas o caminho 
como um lavrador trabalha a terra
em ânsias de semente e chão molhado.
"É ela" tu quiseste, tu decidiste
como numa promessa que não se fala
mas se assume,
"É ela" disseste,
e foi feita a tua vontade,
o teu cheiro
já correndo quente
na vida do meu corpo.
E essa promessa manteve-me
como a maçã que só cai ao chão
no momento em que está pronta
para se render à queda;
e alentou-me como a respiração que
fica suspensa de uma palavra,
numa alegria que não dança mas vibra, 
à espera...
E a espera passou.
E tu chegaste.
Num momento de silêncio e sangue,
como se já tudo soubesses e
não houvessse pressa para
te entregares ao Mundo.
Devoraste o meu colo e
nele dormiste
partilhando comigo a tua Luz e
bebendo da minha sabedoria
para agora me ensinares a tua.
Somos mais que laços de sangue, carne e
noites sem sono:
somos juntos fragmentos do Tempo
que não lembramos
onde começou.

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